sábado, 21 de junho de 2014

11. Semana do Saco Cheio - Parte 3.

Estamos acostumados a falar da tristeza. É muito mais fácil falar da tristeza do que da alegria. Quando estamos tristes, queremos falar sobre isso, compartilhar nossas aflições esperando que isso diminua o sofrimento que estamos sentindo. Às vezes funciona. quando estamos felizes, geralmente, ficamos ocupados demais aproveitando cada segundo de nossa alegria, não queremos falar sobre isso, a não ser que seja pra compartilhar com alguém, mas não dissertamos sobre ela, apenas falamos.

Eu entrei num maldito trabalho para um maldito cara chamado Amadeu. Um trabalho sujo.

Eu queria falar sobre essa nova e pequena tristeza em minha vida, mas não posso. Se eu falar, amanhã um cara com um revólver vai estourar meus miolos como nos filmes legais.

Essa pequena dose de sarcasmo me relaxa.

Eu não precisava desse maldito emprego, eu só precisava parar de querer o mundo.

Eu pensei em ligar para a Ana hoje, mas ainda é quinta-feira. Pega mal ligar numa quinta-feira à tarde e chamá-la para tomar uma xícara de chá, eu acho.

Sinto que estou bipolar, pois ontem eu estava empolgado devido ao trabalho que consegui, pelo meu carro que volta da oficina na sexta, pelo dinheiro que terei para gastar com o que eu quiser, mas estou estressado, chato. Eu realmente desejo que alguém aponte uma arma para a minha cabeça e diga algo como "quais são suas últimas palavras" ou qualquer baboseira parecida, então eu riria da cara dele e diria algo como "você é muito bicha para puxar esse gatilho. Mas isso não acontecerá, eu choraria ao ver a arma na mão do infeliz.

Estou perplexo, minha casa está limpa, não tem nada que eu queira fazer, eu apenas consigo me irritar com esse turbilhão de ideias estúpidas que fritam meu cérebro. Que coisa maravilhosa.

Eu não quero escutar uma música, não quero usar meu computador, não quero assistir um filme e não quero beber, por incrível que pareça. Eu só queria falar com alguém para retirar minha cabeça desse estado de pensamento maldito. Isto parece impossível agora.

A cada segundo que se passa, minha antipatia começa a consumir a mim mesmo. Esta semana esta um caos. Eu realmente espero que meu fim de semana valha a pena, porque pelo visto só assim para eu liberar todo esse estresse da minha vida.

Eu estou com os nervos a flor da pele, não sei o que fazer...

Eu escutei uma moto buzinando na frente de casa, destranquei a porta e um motoboy estava com um envelope amarelo em suas mãos.

-Você é... - parou para ler o nome no envelope - Paulo?
-Sim.
-É para o senhor. - obviamente.

Pego o envelope e ele vai embora. Estranho, ele não era o carteiro, mas me trouxe uma correspondência.

Entrei em casa e abri o envelope. Dentro havia um mapa com um lugar demarcado, junto de um bilhete com o recado:

ESTEJA NO LUGAR MARCADO NO HORÁRIO QUE ESTÁ ESCRITO NO MAPA. DECORE ESTAS INFORMAÇÕES E QUEIME ESSA CORRESPONDÊNCIA.

Minha vida começou a ficar interessante.