Confuso não é a palavra correta. Talvez desnorteado? Não... Foda-se.
Descobrir que aquele passado que um dia pôde representar tudo agora na verdade é apenas mais uma lembrança sem forma, cor, sabor, cheiro. Ou talvez tenha tudo isso, mas minha percepção deixou de ser aquela que fora há muito tempo. eu dificilmente me reconheceria ao defrontar o espelho. Frio, calculista, ligando o foda-se, literalmente.
Não consigo encarar a porra dessa calcinha. Nunca imaginei que ela iria jogá-la em cima de mim. Na verdade eu acho que nunca a conheci o suficiente para saber o que ela faria ou não. só não queria ter lembrado de Ana enquanto transava com Flávia. Se eu pudesse explodiria uma bomba de 100 megatons neste exato momento só para fazer minha mente parar de funcionar nesse frenesi frenético, mas eu sei que quando isso acontece não há bomba que possa me parar.
Eu sou a bomba. Pronto para explodir.
Explodir.
Explodir significa pegar a porra do smartphone e ligar para Ana, mas esse seria o erro mais grotesco que eu cometeria. Pensa, pensa, pensa. Odeio pensar demais. Pensa, caralho, pensa, pensa, pensa...
Se eu ligo para Ana agora, tentando reatar, tenho certeza de que tudo dará certo; a priori.
Na situação que me enfiei existem diversos fatores que poderiam acabar com todas as minhas chances de sucesso a longo prazo. Uma delas seria a morte, levando em conta que sou um matador particular da merda de um vereador idiota e eu querer dar as costas para essa merda de vida significa que ele vai mandar Armando vir à minha porta e me enfiar a porra de um projétil de 9mm na merda da minha cabeça. Sem falar que eu fiz a merda de ligar para minha ex, levá-la para meu lugar secreto - sim, o lugar em que a levei era um lugar que eu visitava sempre sozinho afim de relaxar -, foder com ela como nunca havia feito... e agora ela deve estar achando que eu a quero. Quem mandou eu gostar de fazer as coisas bem feitas? Se bem que para alguém que faz as coisas bem feitas eu sou uma bela de uma tragédia. Caos.
Meu cigarro acabou. Já fumei dois maços hoje. A ideia do câncer parece algo simplório agora. Sabe aquele sentimento de ter fodido com sua vida? Mas de ter fodido pra caralho. Ter fodido tanto que se piorar é capaz de me fazer sorrir.
Campainha.
- Paulo. - conheço essa voz. Acho que terei a bala em minha cabeça. Graças a Deus.
O caminho até a porta nunca foi tão longo. O tempo e espaço se distorceram à minha volta. Eu...
A estrada até o inferno pode até ser pavimentada pelas boas intenções, mas o inferno foi construído pelas más ações do ser humano, com toda sua arrogância, malevolência, mas nunca ignorância. a ignorância é inocente. Inocência não significa salvação.
- Armando. - do mesmo modo que falei arregalei meus olhos. Ele está todo ensanguentado e entrou sem nem ao menos pedir licença. Como se precisasse pedir algo.
- Paulo, quero saber agora se confia em mim ou se é apenas mais um fantoche. - ele foi tão afirmativo no que disse que eu nem sei se espera uma resposta.
- Fantoche?
- Tire esse sorriso cínico e desesperado da porra de seu rosto... - ele lavava as mãos no banheiro enquanto olhava de canto para mim. Armando nunca foi tão explícito ao falar comigo. Também nunca apareceu coberto de sangue na porta de minha casa. - Você sabe do que estou falando. Amadeu.
- Faço o que faço por mim. Eu... - hesitante. O que está acontecendo comigo?
- Fale. Não hesite ao falar comigo. - a voz dele soou dura e fria feito aço.
- Eu odeio aquele merda. - inflexível. Estou de volta ao jogo.
- Então vou te contar o motivo de eu estar assim. Mas antes teria algumas roupas para me emprestar? Não quero continuar sentindo esse maldito cheiro de sangue. - ele se olhava no espelho com um olhar tão fundo, tão perdido. Era nítido que estava mantendo a pose de durão, mas por dentro estava tão destruído quanto eu.
- Pode pegar algumas no meu guarda roupas. Quer que eu estacione seu carro aqui dentro? - sei ser generoso.
- Obrigado, Paulo. Desde que estourou os miolos daquele velho cego e babaca eu soube que era confiável.
- Então por que perguntou? - inflexível.
- Queria ouvir de sua boca. A palavra de um homem vale muito para Nós Sicilianos. - qualquer fragilidade desapareceu agora.
- Vou guardar o carro. Tome um banho, Armando.
Com o carro na garagem, Armando no banho, baseado na mão, agora acho que conseguirei relaxar por um momento. Cada trago me traz um pouco de serenidade, de paz. Mas a viagem...
Caralho.
Ana? De onde veio? Eu não te vi chegar aqui. Do que está falando? Não consigo entender o que diz... Fale mais alto... mais devagar...
Flávia? Vá embora! Pare de me confundir! Você só fode comigo... em todos os sentidos! O quê? Não te entendo!
Não entendo nada do que vocês duas falam... uma de cada vez, por favor.
Devo estar louco. E fraco... Não me bata Ana! Pare de me bater! Droga... não consigo segurar a mão dela... em que lugar está a porra da minha mão!? Calor... Saia daqui Flávia! Ana, eu posso explicar... Sou cada vez mais clichê.
Cadê minha casa? Cadê meu beck? Armando? Ana? Por que só sobrou você aqui?
- Eu sempre fui e sempre serei seu maior pesadelo. Eu sei quem você é e sei como destruir sua vida. Ninguém vai poder te proteger. - essa voz doce e venenosa que saia da boca de Flávia pareceu me deixar tão zonzo que eu não sei mais o que está acontecendo...
Pare de me bater, Ana! PARE! PA...
- Você é confiável ou a porra de um drogado? - Armando. foi um delírio?
A almofada estava queimada, Armando começou a falar o que aconteceu,mas o erro é tão óbvio que ele nem precisa gastar saliva. Acho que finalmente percebi o quanto estou envolvido na merda dessa história.
- Preste atenção, Paulo. - ele segurou meu rosto de modo que eu não pudesse tirar os olhos dele. - o que vou lhe contar vai mudar todo o rumo do que estávamos fazendo. Tudo o que aconteceu, tudo o que fez, tudo o que iria fazer, mudou. Amadeu traiu minha confiança. - já pode parar de falar, Armando.
Acho que preciso encontrar Alan.
quinta-feira, 23 de julho de 2015
quarta-feira, 22 de julho de 2015
23. Abismo.
Na maioria das vezes as respostas para perguntas sem importância parecem mais importantes que os reais resultados nos projetos em que nos engajamos. mas não seriam respostas também resultados reais? Digo, uma resposta verdadeira é um resultado real. Mas como saber se a resposta que outra pessoa te deu é algo verdadeiro? Confiamos cegamente, falamos abertamente, isso sem falar no que os outros podem descobrir sobre nós a todo momento através das malditas redes sociais, que além de nos exporem para o mundo como se fosse uma vitrine, ainda tem o maldito poder de consumir nossas preciosas horas que deveriam ser gastas produzindo algo de realmente bom para a merda desse planeta.
Respire fundo.
Flávia mantém ambas as mãos segurando sua pequena bolsa de couro preto. Ela só veste preto, e isso torna seus olhos azuis o maior destaque que existe nessa noite. As estrelas não serão nada perto disso.
- Você está cada vez mais quieto. - ela olhava apenas para a frente. Nunca para o lado. Nunca para mim.
- Ficando quieto evito falar merda.
- Mas é o que faz de melhor. - olhou para mim.
- E pelo jeito te agrada. - devolvi o olhar.
Fomos no carro dela. Ela nunca confiou em mim para dirigir. Garanto que ela tem bons motivos. Seguimos por uma rodovia até chegarmos em um ponto de venda abandonado, à beira da estrada. Flávia olhava para o céu, tentando não parecer impressionada. Ela nunca admitia a minha capacidade de impressioná-la.
- Aqui podemos ver todas as estrelas de que a cidade nos priva. - peguei a mão dela e fui apontando as constelações, dizendo seus nomes, ensinando-a a ver as formas e entendê-las.
- O conforto da cidade tem seu preço. - seus olhos brilhavam como os de um gato na escuridão.
- Mas não precisamos pagá-lo todos os dias. - eu nunca trouxe Ana aqui. Mas Ana não é importante agora. Talvez nunca mais seja importante.
Ela estava de costas para mim, o braço direito esticado e minha mão sobre seu pulso; o esquerdo rente ao corpo e minha outra mão ao seu encontro, deslizando do antebraço até a mão. Ela esticou ambos os braço para a frente no mesmo instante em que minha respiração intensificava-se perto de seu pescoço; nossos dedos se entrelaçaram, eu a virei e vi seus olhos fechados, expressão delirante. Fechei meus olhos e beijei sua boca.
Eu poderia chamar isso de erro, mas uma breve analise dos últimos seis meses de minha vida e posso garantir que este talvez seja o maior acerto que poderia ocorrer neste momento.
Encostei-a no porta-malas do carro, minhas mãos deslizavam por sua silhueta com a mesma facilidade que se ergueram para que ela tirasse minha camisa. Suas mãos estavam pousadas na cintura de minha calça quando eu comecei a beijá-la no pescoço; suas mãos então subiram para que envolvesse meu pescoço num leve abraço e eu puxava vagarosamente seu vestido preto, deslizando a ponta dos dedos por sua coxa, pela parte de dentro, e conforme o vestido subia ela gemia de tesão.
- Está certo de que vai fazer isso. - ela disse, me olhando no fundo dos olhos logo após eu tirar-lhe o vestido todo.
- O que é certo? - disse eu, enquanto ela abria o botão de minha calça.
Minhas calças ao chão, assim como toda a roupa que ainda restava dela. A penetração, o vai, o vem, o vai novamente, novamente, outra vez. Todos sabem como funciona; arranhões,mordidas, tapas e tudo mais que puder apimentar o momento. Mas o que se passa na cabeça de cada um enquanto ocorre o coito? Ela pensa no quanto eu sou sexy para mais facilmente chegar ao orgasmo enquanto eu desvio minha atenção do momento para poder evitá-lo afim de prolongar o prazer que dou a ela. Pensando assim o sexo parece uma troca injusta devido aos meios, mas muito justa quando alcançados os fins. Você ainda está prestando atenção? Sim, você com quem tenho falado desde a primeira linha dessa verborragia toda que chamo de minha história, está prestando atenção? Você deveria entender que o real motivo de eu estar contando minha vida abertamente à você é para que aprenda com minha conduta errante e faça algo melhor de sua vida. O será que você é incapaz disso? Pode aprender com meus erros ou eu não pareço real o suficiente? Você come o que pode te matar, paga por algo que o escraviza, se relaciona com quem nunca quis ter que trocar uma palavra e, o pior de tudo, sente-se satisfeito no fim das contas. Você pode ser o próximo grande gênio da humanidade mas preferiu fritar um hamburguer, lavar um carro, pintar um portão, dirigir um caminhão, beber todo álcool que puder e usar todo tipo de droga que conseguir sem parecer um drogado com medo de aceitar a realidade. Esta não será sua última chance de se redimir, mas não sei se a próxima conversa será tão intimista como essa.
Ia quase me esquecendo, estou trepando.
Beijo Flávia num beijo em que apenas nossas línguas se tocavam, suavemente, lentamente. Eu queria que hoje fosse um dia especial, que este momento fosse especial, mas no final das contas é apenas sexo, e eu gosto disso. Do sexo, não da casualidade. Mas eu queria que fosse algo mais, talvez porque ela seja minha ex e isso tem uma carga emocional absurda anexada, mas tanto faz. Na realidade, eu só consegui gozar após pensar em Ana.
O jogo virou dentro de minha cabeça.
Não. Não ligarei para Ana.
Flávia me deixou em frente ao Mr jack e me olhou no fundo dos olhos.
- Sonhe comigo, babaca. - disse enquanto jogava sua calcinha em minha direção antes de acelerar e desaparecer na suave neblina que se formara no decorrer da noite.
Se a maior distância entre dois pontos é a falta de comunicação, então eu acabei de entender que meu silêncio é o abismo entre mim e o que desejo.
Respire fundo.
Flávia mantém ambas as mãos segurando sua pequena bolsa de couro preto. Ela só veste preto, e isso torna seus olhos azuis o maior destaque que existe nessa noite. As estrelas não serão nada perto disso.
- Você está cada vez mais quieto. - ela olhava apenas para a frente. Nunca para o lado. Nunca para mim.
- Ficando quieto evito falar merda.
- Mas é o que faz de melhor. - olhou para mim.
- E pelo jeito te agrada. - devolvi o olhar.
Fomos no carro dela. Ela nunca confiou em mim para dirigir. Garanto que ela tem bons motivos. Seguimos por uma rodovia até chegarmos em um ponto de venda abandonado, à beira da estrada. Flávia olhava para o céu, tentando não parecer impressionada. Ela nunca admitia a minha capacidade de impressioná-la.
- Aqui podemos ver todas as estrelas de que a cidade nos priva. - peguei a mão dela e fui apontando as constelações, dizendo seus nomes, ensinando-a a ver as formas e entendê-las.
- O conforto da cidade tem seu preço. - seus olhos brilhavam como os de um gato na escuridão.
- Mas não precisamos pagá-lo todos os dias. - eu nunca trouxe Ana aqui. Mas Ana não é importante agora. Talvez nunca mais seja importante.
Ela estava de costas para mim, o braço direito esticado e minha mão sobre seu pulso; o esquerdo rente ao corpo e minha outra mão ao seu encontro, deslizando do antebraço até a mão. Ela esticou ambos os braço para a frente no mesmo instante em que minha respiração intensificava-se perto de seu pescoço; nossos dedos se entrelaçaram, eu a virei e vi seus olhos fechados, expressão delirante. Fechei meus olhos e beijei sua boca.
Eu poderia chamar isso de erro, mas uma breve analise dos últimos seis meses de minha vida e posso garantir que este talvez seja o maior acerto que poderia ocorrer neste momento.
Encostei-a no porta-malas do carro, minhas mãos deslizavam por sua silhueta com a mesma facilidade que se ergueram para que ela tirasse minha camisa. Suas mãos estavam pousadas na cintura de minha calça quando eu comecei a beijá-la no pescoço; suas mãos então subiram para que envolvesse meu pescoço num leve abraço e eu puxava vagarosamente seu vestido preto, deslizando a ponta dos dedos por sua coxa, pela parte de dentro, e conforme o vestido subia ela gemia de tesão.
- Está certo de que vai fazer isso. - ela disse, me olhando no fundo dos olhos logo após eu tirar-lhe o vestido todo.
- O que é certo? - disse eu, enquanto ela abria o botão de minha calça.
Minhas calças ao chão, assim como toda a roupa que ainda restava dela. A penetração, o vai, o vem, o vai novamente, novamente, outra vez. Todos sabem como funciona; arranhões,mordidas, tapas e tudo mais que puder apimentar o momento. Mas o que se passa na cabeça de cada um enquanto ocorre o coito? Ela pensa no quanto eu sou sexy para mais facilmente chegar ao orgasmo enquanto eu desvio minha atenção do momento para poder evitá-lo afim de prolongar o prazer que dou a ela. Pensando assim o sexo parece uma troca injusta devido aos meios, mas muito justa quando alcançados os fins. Você ainda está prestando atenção? Sim, você com quem tenho falado desde a primeira linha dessa verborragia toda que chamo de minha história, está prestando atenção? Você deveria entender que o real motivo de eu estar contando minha vida abertamente à você é para que aprenda com minha conduta errante e faça algo melhor de sua vida. O será que você é incapaz disso? Pode aprender com meus erros ou eu não pareço real o suficiente? Você come o que pode te matar, paga por algo que o escraviza, se relaciona com quem nunca quis ter que trocar uma palavra e, o pior de tudo, sente-se satisfeito no fim das contas. Você pode ser o próximo grande gênio da humanidade mas preferiu fritar um hamburguer, lavar um carro, pintar um portão, dirigir um caminhão, beber todo álcool que puder e usar todo tipo de droga que conseguir sem parecer um drogado com medo de aceitar a realidade. Esta não será sua última chance de se redimir, mas não sei se a próxima conversa será tão intimista como essa.
Ia quase me esquecendo, estou trepando.
Beijo Flávia num beijo em que apenas nossas línguas se tocavam, suavemente, lentamente. Eu queria que hoje fosse um dia especial, que este momento fosse especial, mas no final das contas é apenas sexo, e eu gosto disso. Do sexo, não da casualidade. Mas eu queria que fosse algo mais, talvez porque ela seja minha ex e isso tem uma carga emocional absurda anexada, mas tanto faz. Na realidade, eu só consegui gozar após pensar em Ana.
O jogo virou dentro de minha cabeça.
Não. Não ligarei para Ana.
Flávia me deixou em frente ao Mr jack e me olhou no fundo dos olhos.
- Sonhe comigo, babaca. - disse enquanto jogava sua calcinha em minha direção antes de acelerar e desaparecer na suave neblina que se formara no decorrer da noite.
Se a maior distância entre dois pontos é a falta de comunicação, então eu acabei de entender que meu silêncio é o abismo entre mim e o que desejo.
quinta-feira, 18 de junho de 2015
22. Fantasmas.
Mr Jack. Esse é o nome do restaurante em que nos encontramos pela primeira vez. Ainda tem o mesmo cheiro de flores tropicais exalando por todo ambiente. Eu espero que isso ajude a reviver velhos sentimentos. Meus fantasmas favoritos.
Quase sete e meia. Ela sempre costumou ser pontual.
Eis que a vejo atravessando o restaurante e indo em minha direção. Está tão linda quanto eu me lembrava. Se ela tiver uma arma pode me matar agora. Estou satisfeito. Não sei o quanto gosto desses fantasmas, mas a chance de descobrir me dá calafrios que parecem nunca passar. Estou tendo esses calafrios desde que liguei para ela ontem. Mas agora tudo cessou.
- Pontual como sempre. - dei um sorriso receptivo. Eu não estou aqui para perder tempo.
- Você sabe que odeio me atrasar e igualmente odeio esperar, então... - um momento, por favor.
- E como poderia me esquecer disso?
- Você esquece de muitas coisas. - ela, inflexível. Me lembrei o porquê a amei tanto.
- Mas lembrei do seu número, e agora estamos aqui. - olhei no fundo daqueles olhos azuis como o mar. eles exalavam toda a frieza desta mulher complexa como o frio.
- E isso é sorte ou azar? - ela esboçou algo, mas não identifiquei.
- Descubra.
- E se eu não quiser descobrir?
- Então eu posso vendar seus olhos e te levar para um lugar que te surpreenderia, simplesmente para atiçar sua curiosidade.
- Continue... - that's a bingo!
- Nessa cidade, quando olha para o céu, só há escuridão e a única luz que nos ilumina é artificial. Mas eu posso te mostrar um lugar em que a paz domina, as estrelas brilham e a lua nos ilumina. Basta dizer que está interessada o suficiente. - eu nunca disse um lixo tão clichê para alguém.
- Espera realmente que eu caia nessa? - que gozada.
- Não. - inflexível.
- Aonde quer chegar? Me liga do nada, me chama pra jantar, começa a falar que vai me levar num lugar lindo... - ela suspirou com força, olhou para o chão, olhou bem no fundo de meus olhos. - Você acha que esse intervalo de um ano sem nos vermos não foram nada? - todos olharam para ela. é isso que acontece quando se eleva o tom de voz.
- Não quero reviver o que passamos, Flávia. Eu quero realmente entender o porquê você sumiu.
- Porque me cansei. - inflexível.
- Mentira. - inflexível.
- Como sabe? - curiosa. Tão curiosa que seus olhos se arregalaram.
- Te conheço bem demais. Você mexeu sua mão esquerda quando falou. Você sempre mexe ela quando mente. - inflexível.
- Eu não deveria ter vindo te encontrar. - após dizer se levantou e deu as costas para mim. Me levantei também.
- Então porque veio?
- Espero que as estrelas valham a pena. - jackpot.
Quase sete e meia. Ela sempre costumou ser pontual.
Eis que a vejo atravessando o restaurante e indo em minha direção. Está tão linda quanto eu me lembrava. Se ela tiver uma arma pode me matar agora. Estou satisfeito. Não sei o quanto gosto desses fantasmas, mas a chance de descobrir me dá calafrios que parecem nunca passar. Estou tendo esses calafrios desde que liguei para ela ontem. Mas agora tudo cessou.
- Pontual como sempre. - dei um sorriso receptivo. Eu não estou aqui para perder tempo.
- Você sabe que odeio me atrasar e igualmente odeio esperar, então... - um momento, por favor.
- E como poderia me esquecer disso?
- Você esquece de muitas coisas. - ela, inflexível. Me lembrei o porquê a amei tanto.
- Mas lembrei do seu número, e agora estamos aqui. - olhei no fundo daqueles olhos azuis como o mar. eles exalavam toda a frieza desta mulher complexa como o frio.
- E isso é sorte ou azar? - ela esboçou algo, mas não identifiquei.
- Descubra.
- E se eu não quiser descobrir?
- Então eu posso vendar seus olhos e te levar para um lugar que te surpreenderia, simplesmente para atiçar sua curiosidade.
- Continue... - that's a bingo!
- Nessa cidade, quando olha para o céu, só há escuridão e a única luz que nos ilumina é artificial. Mas eu posso te mostrar um lugar em que a paz domina, as estrelas brilham e a lua nos ilumina. Basta dizer que está interessada o suficiente. - eu nunca disse um lixo tão clichê para alguém.
- Espera realmente que eu caia nessa? - que gozada.
- Não. - inflexível.
- Aonde quer chegar? Me liga do nada, me chama pra jantar, começa a falar que vai me levar num lugar lindo... - ela suspirou com força, olhou para o chão, olhou bem no fundo de meus olhos. - Você acha que esse intervalo de um ano sem nos vermos não foram nada? - todos olharam para ela. é isso que acontece quando se eleva o tom de voz.
- Não quero reviver o que passamos, Flávia. Eu quero realmente entender o porquê você sumiu.
- Porque me cansei. - inflexível.
- Mentira. - inflexível.
- Como sabe? - curiosa. Tão curiosa que seus olhos se arregalaram.
- Te conheço bem demais. Você mexeu sua mão esquerda quando falou. Você sempre mexe ela quando mente. - inflexível.
- Eu não deveria ter vindo te encontrar. - após dizer se levantou e deu as costas para mim. Me levantei também.
- Então porque veio?
- Espero que as estrelas valham a pena. - jackpot.
segunda-feira, 15 de junho de 2015
21. O Pior Dia Da Minha Vida.
Eu queria acordar e dizer "eu sou a pessoa mais feliz do mundo", ou quem sabe apenas "eu sou feliz", ou pior, eu estaria bem dizendo "tenho momentos felizes". Que inocência. Nem minha mente me deixa em paz, imagine as outras pessoas. Se cada um entendesse o que se passa dentro desta merda que chamo de cérebro - o órgão chefe -, na boa, se entendessem... eu não estou surtando à toa.
Órgão chefe fere meu egocentrismo.
Tudo aquilo que me ataca eu reajo. Sou tão reativo quanto nitroglicerina. Mas Ana conseguiu ser tão reativa quanto seu signo de escorpião pode ser na TPM. Escorpião soa mais como mau presságio, mas o veneno dela não me mata, apenas vicia.
Eu tenho comido o suficiente para ter engordado pelo menso quatro quilos neste último mês, mas eu continuo com setenta quilos, até bem distribuídos para meus um metro e oitenta. Há seis meses eu pesava setenta e cinco quilos. Comecei a emagrecer muito rápido após meu batismo de fogo. Deve ser stress. Eu emagreci e fiquei com sessenta e seis quilos. Entrei em choque. Via meus ossos. Procurei um nutricionista, era uma mulher, ela me recomendou uma dieta rica em fibras, carboidratos e proteínas. Eu deveria ganhar peso com saúde, não gorduras. Mas como dispensar um x-bacon?
Eu sentia raiva. Quanto mais raiva, mais fome. Quanto mais fome, mais raiva. Quanto mais raiva, mais fome e mais raiva, mais eu emagrecia.
Tem gente que ia adorar isso. Sério.
Eu não sei o que Ana faz para continuar com aquele corpo perfeito, mas acho que ela se estressa também. Eu não sei o que ela faz além de ter uma banda, mas pelo peso dela é vendedora de alguma loja de roupas, dessas grandes franquias que todos sabem o nome, toda a cidade tem uma. Ela deve vender calças, e deve ter que lidar com compradores tão chatos quanto eu. Só assim para se manter linda sempre e comer pizza todo fim de semana. Ou ela faz academia, é rica, não trabalha, mas se estressa com o jardineiro que plantou tulipas no verão.
Stress parece resposta. Mas é dúvida. Garanto.
Ela quer meu nome. Eu nem sei se sei meu nome.
Para falar a verdade, eu passei tanto tempo fingindo que eu nem sei quem sou. Ou aprendi a fingir? Descobriremos.
Desde que Ana saiu pela porta da frente eu não saio de casa, não como, não durmo, não me banho. E isso foi há dois dias. Enlouqueci. Acendo cigarros freneticamente, jogo bitucas pelo chão. Eu que terei que limpar, então foda-se. Se eu não ligar, ela não liga. Então foda-se. Se ela ligar, o que digo? Foda-se.
É fácil resolver isso tudo. Muito fácil.
Você acha que sua vida é uma droga? Ótimo. A partir deste ponto você se tornou sensato. E quem se torna sensato pode ver o mundo de outra perspectiva. Ou se enganar e continuar sendo trouxa. Mas pelo menos alguns te acharão sensato o suficiente. A vida, mesmo quando uma droga, costuma ser ironicamente consoladora.
Se eu fosse destilar todo meu ódio faltariam alambiques neste pedaço de terra em que sobrevivo.
Aliás, você vive ou sobrevive? É uma pergunta válida.
Eu me levanto da poltrona do envelhecimento e quero encontrar algo capaz de estragar...
Uma buzina.
Um sedam preto.
Minha mente começou a trabalhar numa velocidade que eu nunca tinha experimentado antes. Conseguia pensar no que poderia estar acontecendo na vida de um norte coreano, com sua expectativa não muito agradável em relação ao futuro. Conseguia pensar em tudo o que há de certo e errado na minha vida. Conseguia até mesmo entender toda a dinâmica social e usar isso como artifício para melhorar minha posição. Sem matar gente, nesta última. Tudo isso em um segundo. Saio à porta e quem vejo não me impressiona. A ponta solta. Como pude ser tão negligente?
- Dave, entre, por favor! - não sei reagir de outra forma.
- Cara, você sabe como sumir.
- Às vezes sou um pouco negligente... - admitir dói.
- Tão negligente que está se esquecendo dos amigos novamente. - ele está estranhamente normal.
- Meu trabalho atual consome todo meu tempo.
- Deveria conseguir um emprego melhor. Acho que têm três ou quatro meses que não tomamos uma cerveja. E a garota, continua com ela?
- Eu e Ana brigamos. Ontem. - ele esboçou um sorriso. Maldito, eu vi isso.
- Então cheguei numa boa hora?
- Não sei se eu vejo desta forma. - inflexível.
- Estou aqui para te consolar, meu amigo! - ele está sendo cínico. Eu sei. - Não é pra isso que servem os amigos?
Eu estava centrado o suficiente para dar uma resposta sensacional para Dave, mas hoje eu não quero esclarecer as merdas da minha vida, muito menos pensar no tamanho da culpa que tenho por isso ter acontecido. eu nem me lembro o porquê eu e Dave paramos de sair. Ele sempre passava aqui e íamos beber. Estou de saco cheio de tanta cobrança. Ana me cobra, Armando me cobra, Dave me cobra.
- Dave, realmente não é uma boa hora. - inflexível.
- Se agora não é uma boa hora, então ela provavelmente não existe. - agora sim ele está conversando como gente.
- Você pode ir embora. eu realmente só quero ficar sozinho.
- Claro. Você sabe muito bem o que está fazendo, meu amigo. Só não venha querer minha ajuda depois. - quanto desdem, velho amigo.
- Eu não preciso de ajuda, mas se continuar me insultando assim talvez não possa me insultar amanhã novamente. - inflexível.
- Ou vai fazer o quê? - desafiou...
- Quer descobrir agora ou em alguns minutos? - desafio aceito.
- Você enlouqueceu?
- Sim. - inflexível.
- Eu vou embora. você sabe onde moro, como me encontrar... ou simplesmente esqueça que é meu amigo.
Eu não reagi. Vi meu melhor amigo indo embora. A única pessoa que me ajudou quando Flávia destruiu minha vida. Flávia... o que será que ela deve estar fazendo agora? Deve ter um ano desde que nos falamos pela última vez. Nunca mais a vi, e isso foi bom, no começo. Ajuda a esquecer.
Eu conseguia pensar em soluções para a guerra no oriente médio. Conseguia dissertar contra o comunismo, capitalismo e todos os outros ismos que dividem a humanidade. Eu conseguia até mesmo dar um jeito na minha vida, dentro da minha cabeça, mas eu consigo ser mais teimoso do que eficaz.
O telefone chama pela primeira vez.
O relógio tiquetaqueia. Eu respiro fundo. A velha torneira pinga. Todos esses sons ecoam pela casa silenciosa.
Ao segundo toque alguém atende.
- A essa hora da noite é bom que seja importante. - ela atendeu. Acho que fui tomado por um tipo estranho de euforia.
- Depende o que considera importante.
- Não acredito que ligou para mim.
- Nem eu. - flexível.
Órgão chefe fere meu egocentrismo.
Tudo aquilo que me ataca eu reajo. Sou tão reativo quanto nitroglicerina. Mas Ana conseguiu ser tão reativa quanto seu signo de escorpião pode ser na TPM. Escorpião soa mais como mau presságio, mas o veneno dela não me mata, apenas vicia.
Eu tenho comido o suficiente para ter engordado pelo menso quatro quilos neste último mês, mas eu continuo com setenta quilos, até bem distribuídos para meus um metro e oitenta. Há seis meses eu pesava setenta e cinco quilos. Comecei a emagrecer muito rápido após meu batismo de fogo. Deve ser stress. Eu emagreci e fiquei com sessenta e seis quilos. Entrei em choque. Via meus ossos. Procurei um nutricionista, era uma mulher, ela me recomendou uma dieta rica em fibras, carboidratos e proteínas. Eu deveria ganhar peso com saúde, não gorduras. Mas como dispensar um x-bacon?
Eu sentia raiva. Quanto mais raiva, mais fome. Quanto mais fome, mais raiva. Quanto mais raiva, mais fome e mais raiva, mais eu emagrecia.
Tem gente que ia adorar isso. Sério.
Eu não sei o que Ana faz para continuar com aquele corpo perfeito, mas acho que ela se estressa também. Eu não sei o que ela faz além de ter uma banda, mas pelo peso dela é vendedora de alguma loja de roupas, dessas grandes franquias que todos sabem o nome, toda a cidade tem uma. Ela deve vender calças, e deve ter que lidar com compradores tão chatos quanto eu. Só assim para se manter linda sempre e comer pizza todo fim de semana. Ou ela faz academia, é rica, não trabalha, mas se estressa com o jardineiro que plantou tulipas no verão.
Stress parece resposta. Mas é dúvida. Garanto.
Ela quer meu nome. Eu nem sei se sei meu nome.
Para falar a verdade, eu passei tanto tempo fingindo que eu nem sei quem sou. Ou aprendi a fingir? Descobriremos.
Desde que Ana saiu pela porta da frente eu não saio de casa, não como, não durmo, não me banho. E isso foi há dois dias. Enlouqueci. Acendo cigarros freneticamente, jogo bitucas pelo chão. Eu que terei que limpar, então foda-se. Se eu não ligar, ela não liga. Então foda-se. Se ela ligar, o que digo? Foda-se.
É fácil resolver isso tudo. Muito fácil.
Você acha que sua vida é uma droga? Ótimo. A partir deste ponto você se tornou sensato. E quem se torna sensato pode ver o mundo de outra perspectiva. Ou se enganar e continuar sendo trouxa. Mas pelo menos alguns te acharão sensato o suficiente. A vida, mesmo quando uma droga, costuma ser ironicamente consoladora.
Se eu fosse destilar todo meu ódio faltariam alambiques neste pedaço de terra em que sobrevivo.
Aliás, você vive ou sobrevive? É uma pergunta válida.
Eu me levanto da poltrona do envelhecimento e quero encontrar algo capaz de estragar...
Uma buzina.
Um sedam preto.
Minha mente começou a trabalhar numa velocidade que eu nunca tinha experimentado antes. Conseguia pensar no que poderia estar acontecendo na vida de um norte coreano, com sua expectativa não muito agradável em relação ao futuro. Conseguia pensar em tudo o que há de certo e errado na minha vida. Conseguia até mesmo entender toda a dinâmica social e usar isso como artifício para melhorar minha posição. Sem matar gente, nesta última. Tudo isso em um segundo. Saio à porta e quem vejo não me impressiona. A ponta solta. Como pude ser tão negligente?
- Dave, entre, por favor! - não sei reagir de outra forma.
- Cara, você sabe como sumir.
- Às vezes sou um pouco negligente... - admitir dói.
- Tão negligente que está se esquecendo dos amigos novamente. - ele está estranhamente normal.
- Meu trabalho atual consome todo meu tempo.
- Deveria conseguir um emprego melhor. Acho que têm três ou quatro meses que não tomamos uma cerveja. E a garota, continua com ela?
- Eu e Ana brigamos. Ontem. - ele esboçou um sorriso. Maldito, eu vi isso.
- Então cheguei numa boa hora?
- Não sei se eu vejo desta forma. - inflexível.
- Estou aqui para te consolar, meu amigo! - ele está sendo cínico. Eu sei. - Não é pra isso que servem os amigos?
Eu estava centrado o suficiente para dar uma resposta sensacional para Dave, mas hoje eu não quero esclarecer as merdas da minha vida, muito menos pensar no tamanho da culpa que tenho por isso ter acontecido. eu nem me lembro o porquê eu e Dave paramos de sair. Ele sempre passava aqui e íamos beber. Estou de saco cheio de tanta cobrança. Ana me cobra, Armando me cobra, Dave me cobra.
- Dave, realmente não é uma boa hora. - inflexível.
- Se agora não é uma boa hora, então ela provavelmente não existe. - agora sim ele está conversando como gente.
- Você pode ir embora. eu realmente só quero ficar sozinho.
- Claro. Você sabe muito bem o que está fazendo, meu amigo. Só não venha querer minha ajuda depois. - quanto desdem, velho amigo.
- Eu não preciso de ajuda, mas se continuar me insultando assim talvez não possa me insultar amanhã novamente. - inflexível.
- Ou vai fazer o quê? - desafiou...
- Quer descobrir agora ou em alguns minutos? - desafio aceito.
- Você enlouqueceu?
- Sim. - inflexível.
- Eu vou embora. você sabe onde moro, como me encontrar... ou simplesmente esqueça que é meu amigo.
Eu não reagi. Vi meu melhor amigo indo embora. A única pessoa que me ajudou quando Flávia destruiu minha vida. Flávia... o que será que ela deve estar fazendo agora? Deve ter um ano desde que nos falamos pela última vez. Nunca mais a vi, e isso foi bom, no começo. Ajuda a esquecer.
Eu conseguia pensar em soluções para a guerra no oriente médio. Conseguia dissertar contra o comunismo, capitalismo e todos os outros ismos que dividem a humanidade. Eu conseguia até mesmo dar um jeito na minha vida, dentro da minha cabeça, mas eu consigo ser mais teimoso do que eficaz.
O telefone chama pela primeira vez.
O relógio tiquetaqueia. Eu respiro fundo. A velha torneira pinga. Todos esses sons ecoam pela casa silenciosa.
Ao segundo toque alguém atende.
- A essa hora da noite é bom que seja importante. - ela atendeu. Acho que fui tomado por um tipo estranho de euforia.
- Depende o que considera importante.
- Não acredito que ligou para mim.
- Nem eu. - flexível.
quinta-feira, 11 de junho de 2015
20. Inferno.
Ana não para de olhar para mim. Se ela quer me perguntar algo, pergunte, mas que acabe com a merda desse silêncio estrondoso. Cada segundo que passamos sentados nessa mesa, com você olhando fixamente para mim, com essa cara lavada de cinismo, enquanto tento comer minha torrada. Sério, não estou nem conseguindo sentir o sabor dela. Pare de me olhar, Ana.
Ela não parou. Deixei a torrada sobre a mesa, me levantei.
- Quer um cigarro? - pergunto da forma mais natural possível.
- Acho que vou aceitar. - seca.
- Vamos lá fora. O ar fresco é mais receptivo.
- Claro... Fumando isso faz muita diferença.
- O que há com você? - eu preciso perguntar.
- Comigo? Me desculpe... - interrompo.
- Desde que chegou hoje não para de me encarar e não esboçou um sorriso sequer. Eu posso até ser paranoico às vezes, mas hoje tenho certeza de que não. - o cigarro caiu no chão enquanto eu falava. Ela desviou o olhar para o chão. Eu olhava reto. Ela levantou a cabeça para encontrar seu olhar com o meu. ela percebeu minhas mão tremendo.
- Não estou em um bom dia. E você também não deve estar. - seca.
- Eu queria estar. De verdade. - inflexível.
- Queria? Então por que se estressa tanto? Mantém um trabalho secreto? Não me conta seu nome por medo de se envolver... - pausa para um suspiro dramático. Nesse momento eu parei de tremer e minha postura super ereta me engrandeceu. - A quem quer enganar?
- Quer que eu responda tudo? - inflexível.
- Não. - seca. - Apenas me diga se tem medo de ter algo real comigo. - ela caiu nem lágrimas.
- Não. Caso contrário não estaríamos a tanto tempo juntos. - inflexível.
- Tem certeza? - a voz dela teve a tonalidade levemente exaltada.
- A não ser que ache seis meses pouco. - inflexível.
- Não o suficiente.
- Não controlo o tempo. - inflexível.
- Mas sua vida, certamente. - seca.
- O quanto posso. - inflexível.
- Então vou embora. Tem meu número. Quando estiver pronto para viver algo real comigo, me ligue, e quem sabe eu não tenha te trocado por outro babaca que for ver minha banda tocar.
Ela saiu pela porta da sala. Escutei o barulho do portão batendo com força.
Furacões não têm nomes de mulheres à toa.
E eu? Inflexível.
Ela não parou. Deixei a torrada sobre a mesa, me levantei.
- Quer um cigarro? - pergunto da forma mais natural possível.
- Acho que vou aceitar. - seca.
- Vamos lá fora. O ar fresco é mais receptivo.
- Claro... Fumando isso faz muita diferença.
- O que há com você? - eu preciso perguntar.
- Comigo? Me desculpe... - interrompo.
- Desde que chegou hoje não para de me encarar e não esboçou um sorriso sequer. Eu posso até ser paranoico às vezes, mas hoje tenho certeza de que não. - o cigarro caiu no chão enquanto eu falava. Ela desviou o olhar para o chão. Eu olhava reto. Ela levantou a cabeça para encontrar seu olhar com o meu. ela percebeu minhas mão tremendo.
- Não estou em um bom dia. E você também não deve estar. - seca.
- Eu queria estar. De verdade. - inflexível.
- Queria? Então por que se estressa tanto? Mantém um trabalho secreto? Não me conta seu nome por medo de se envolver... - pausa para um suspiro dramático. Nesse momento eu parei de tremer e minha postura super ereta me engrandeceu. - A quem quer enganar?
- Quer que eu responda tudo? - inflexível.
- Não. - seca. - Apenas me diga se tem medo de ter algo real comigo. - ela caiu nem lágrimas.
- Não. Caso contrário não estaríamos a tanto tempo juntos. - inflexível.
- Tem certeza? - a voz dela teve a tonalidade levemente exaltada.
- A não ser que ache seis meses pouco. - inflexível.
- Não o suficiente.
- Não controlo o tempo. - inflexível.
- Mas sua vida, certamente. - seca.
- O quanto posso. - inflexível.
- Então vou embora. Tem meu número. Quando estiver pronto para viver algo real comigo, me ligue, e quem sabe eu não tenha te trocado por outro babaca que for ver minha banda tocar.
Ela saiu pela porta da sala. Escutei o barulho do portão batendo com força.
Furacões não têm nomes de mulheres à toa.
E eu? Inflexível.
quarta-feira, 10 de junho de 2015
19.
- Alan. - eu disse sem ânimo. Minha vontade é de matar esse ser medíocre. Esse desgraçado. Esse filho de uma puta.
- Você parece até bem, filho. - disse dando um riso idiota.
- Bem até demais, vovô. - me chame de neto, agora, vovô.
- Adoro seu senso de humor! - ele se aproximava e eu deixava minha postura o mais ereta possível para intimidá-lo. - Não se preocupe, eu não ando armado como você.
Meu coração parou. Mesmo que apenas por um segundo. Parou.
- Acho que preciso te chamar para entrar. - eu sorri, mesmo contra minha vontade, sorri.
- Belos modos, meu filho.
Nossos olhares trocaram faíscas instantâneas, mas isso não alterou a intensidade que o momento prometia para nossas frágeis mentes conturbadas. Eu jamais admitiria estar louco sozinho.
Alan trabalhava lentamente o fumo que colocava em seu cachimbo, e vocês não imaginam o quanto aquilo me deixava irritado, mas, como de costume, eu não esboçava nada por fora, ou apenas alguns traços de ansiedade. é um pouco complicado me manter sob controle. Não sou o mais comum caso, mas não sou um caso comum. Teste minhas particularidades.
- Você tem uma casa bela. Aconchegante. - todo mundo diz isso, para qualquer casa, idiota. - Você não mora sozinho aqui, mora? - aquele olhar.
- Mas você já sabe disso. Não é? - qual é o jogo, vovô?
- Ana é muito bela... Pena você não poder contar o que faz à ela.
- Tenho sobrevivido.
- Mas tem sofrido.
- Entretanto, estamos aqui.
Um minuto de silêncio. Alan bebe seu vinho. Eu tenho uma garrafa de whiskey na mão. Acho que ninguém percebe minha tensão agora.
- O que achou do emprego? - será ele agora sarcástico?
- Uma droga. mas o estranho é eu ter me acostumado. - fui sincero. Droga.
- Quando te vi a primeira vez eu sabia que seu estado mental era de acostumar-se.
- Então sabe ler mentes?
- Apenas a sua.
- A minha? - levantei o tom de voz. - Você não sabe nada de mim. Você é apenas um velho idiota.
- E você se estressa facilmente. - ele se mantém imóvel.
- Eu dependo de você. - minha face perde toda a expressão de ira.
- Não. Mas precisa jogar comigo.
Eu simplesmente concordei. Por mais que eu tentasse lutar contra isso, ainda sabia que estávamos a fazer suma coisa muito maior. Alan me escolheu para seu plano e, pela primeira vez em seis meses, eu me sinto à vontade para continuar com o planejado.
- Você parece até bem, filho. - disse dando um riso idiota.
- Bem até demais, vovô. - me chame de neto, agora, vovô.
- Adoro seu senso de humor! - ele se aproximava e eu deixava minha postura o mais ereta possível para intimidá-lo. - Não se preocupe, eu não ando armado como você.
Meu coração parou. Mesmo que apenas por um segundo. Parou.
- Acho que preciso te chamar para entrar. - eu sorri, mesmo contra minha vontade, sorri.
- Belos modos, meu filho.
Nossos olhares trocaram faíscas instantâneas, mas isso não alterou a intensidade que o momento prometia para nossas frágeis mentes conturbadas. Eu jamais admitiria estar louco sozinho.
Alan trabalhava lentamente o fumo que colocava em seu cachimbo, e vocês não imaginam o quanto aquilo me deixava irritado, mas, como de costume, eu não esboçava nada por fora, ou apenas alguns traços de ansiedade. é um pouco complicado me manter sob controle. Não sou o mais comum caso, mas não sou um caso comum. Teste minhas particularidades.
- Você tem uma casa bela. Aconchegante. - todo mundo diz isso, para qualquer casa, idiota. - Você não mora sozinho aqui, mora? - aquele olhar.
- Mas você já sabe disso. Não é? - qual é o jogo, vovô?
- Ana é muito bela... Pena você não poder contar o que faz à ela.
- Tenho sobrevivido.
- Mas tem sofrido.
- Entretanto, estamos aqui.
Um minuto de silêncio. Alan bebe seu vinho. Eu tenho uma garrafa de whiskey na mão. Acho que ninguém percebe minha tensão agora.
- O que achou do emprego? - será ele agora sarcástico?
- Uma droga. mas o estranho é eu ter me acostumado. - fui sincero. Droga.
- Quando te vi a primeira vez eu sabia que seu estado mental era de acostumar-se.
- Então sabe ler mentes?
- Apenas a sua.
- A minha? - levantei o tom de voz. - Você não sabe nada de mim. Você é apenas um velho idiota.
- E você se estressa facilmente. - ele se mantém imóvel.
- Eu dependo de você. - minha face perde toda a expressão de ira.
- Não. Mas precisa jogar comigo.
Eu simplesmente concordei. Por mais que eu tentasse lutar contra isso, ainda sabia que estávamos a fazer suma coisa muito maior. Alan me escolheu para seu plano e, pela primeira vez em seis meses, eu me sinto à vontade para continuar com o planejado.
terça-feira, 20 de janeiro de 2015
18. Erupção
Eu não posso mais nem morrer em paz. Armando está ao meu lado direito, e do meu lado esquerdo está um outro capanga que eu nunca tinha visto anteriormente. estamos indo resolver algo que foi descrito como sujo, um mal necessário. Tudo nesse trabalho parece ser como isso. Há seis meses eu fui convencido a entrar nessa vida, e a partir disto eu nem sei mais quantas pessoas matei. A primeira vítima a gente nunca esquece - o batismo de fogo -, mas depois disso tudo vai se tornando natural; basta puxar o gatilho e tudo está resolvido. Algumas vezes uma equipe de limpeza chega ao local quando estamos saindo, mas na maioria das vezes esperamos que encontrem os corpos, passamos uma mensagem com isso. Hoje foi assim.
Os dias estão mais longos e as noites mais curtas, e o grande problema é que Ana percebe que tenho me irritado mais facilmente. Só de pensar nisso eu fico irritado. Eu acho, constantemente, que vou explodir. Eu vou àquele maldito bar periodicamente procurando por Alan, mas aquele velho, gordo e nojento nunca está lá. eu quase não saio mais com o Dave, e ele deve estar culpando Ana por isso. Eu acho que costumo sumir quando me envolvo romanticamente. Mas desta vez não é isso.
Hoje estou com um pressentimento; acho que encontrarei Alan. Eu vou ao bar, pedir uma dose de conhaque, uma cerveja qualquer, e beber, despretensiosamente. Depois que beber voltarei embora. Esse é o plano.
Esse bar sujo, fedido, com cerveja quente e gente feia. Até hoje não entendo o porquê de ter vindo aqui no meio da noite.
Eu gostaria de evitar aquela noite.
A dose durou um gole, a cerveja um pouco mais, mas isso pouco importa. Nada importa, realmente, quando se está desesperado.
O caminho de volta é tedioso, minha cabeça está um turbilhão, eu deveria beber mais um conhaque, mas prefiro voltar para casa e dormir.
Eu larguei meu antigo emprego por causa dessa maldita escolha. Eu nem lembro mais o que eun fazia antes.
Eu nem lembo o que eu era antes.
A única coisa boa que vem me acontecendo é ter Ana por perto. Ela passa bastante tempo junto de mim, e eu gosto muito de estar com ela. O único problema é quando ela pergunta o que eu faço pra viver e eu me esquivo, mantendo segredo sobre minha vida profissional, meu nome, de onde vim, pra onde vou. Nossa relação consiste apenas em curtir o momento, e eu não sei o quanto isso pode ser bom ou ruim.
Se antes o tédio me consumia, agora o que me consome é a falta dele, da ociosidade.
-Paulo...
Eu gelei por um segundo. Eu reconheço essa voz. Eu estava de frente para o portão da minha casa, procurando as chaves em meus bolsos. Eu quase hesitei ao me virar, mas eu preciso de respostas.
Os dias estão mais longos e as noites mais curtas, e o grande problema é que Ana percebe que tenho me irritado mais facilmente. Só de pensar nisso eu fico irritado. Eu acho, constantemente, que vou explodir. Eu vou àquele maldito bar periodicamente procurando por Alan, mas aquele velho, gordo e nojento nunca está lá. eu quase não saio mais com o Dave, e ele deve estar culpando Ana por isso. Eu acho que costumo sumir quando me envolvo romanticamente. Mas desta vez não é isso.
Hoje estou com um pressentimento; acho que encontrarei Alan. Eu vou ao bar, pedir uma dose de conhaque, uma cerveja qualquer, e beber, despretensiosamente. Depois que beber voltarei embora. Esse é o plano.
Esse bar sujo, fedido, com cerveja quente e gente feia. Até hoje não entendo o porquê de ter vindo aqui no meio da noite.
Eu gostaria de evitar aquela noite.
A dose durou um gole, a cerveja um pouco mais, mas isso pouco importa. Nada importa, realmente, quando se está desesperado.
O caminho de volta é tedioso, minha cabeça está um turbilhão, eu deveria beber mais um conhaque, mas prefiro voltar para casa e dormir.
Eu larguei meu antigo emprego por causa dessa maldita escolha. Eu nem lembro mais o que eun fazia antes.
Eu nem lembo o que eu era antes.
A única coisa boa que vem me acontecendo é ter Ana por perto. Ela passa bastante tempo junto de mim, e eu gosto muito de estar com ela. O único problema é quando ela pergunta o que eu faço pra viver e eu me esquivo, mantendo segredo sobre minha vida profissional, meu nome, de onde vim, pra onde vou. Nossa relação consiste apenas em curtir o momento, e eu não sei o quanto isso pode ser bom ou ruim.
Se antes o tédio me consumia, agora o que me consome é a falta dele, da ociosidade.
-Paulo...
Eu gelei por um segundo. Eu reconheço essa voz. Eu estava de frente para o portão da minha casa, procurando as chaves em meus bolsos. Eu quase hesitei ao me virar, mas eu preciso de respostas.
Assinar:
Comentários (Atom)