sexta-feira, 29 de agosto de 2014

15. Não fale comigo nas segundas.

Às vezes me pergunto o que é a morte. Será que ela é tão implacável como pensamos, ou será apenas algo comum, assim como pensavam os vikings? A morte significa tanto na sociedade atual, pelo menos a que habito, que eu não sei se ela representa muito ou pouco para mim. Eu sinto que a encarei bem de perto essa semana, mas depois desses momentos eu só queria me sentir mais vivo. O que é o final de uma história quando o meio dela é sensacional? Ainda valorizamos demais o final, deixando para trás o conteúdo.

Ana está deitada em minha cama, dormindo como uma deusa. Eu estou sentado, são 5 e meia da manhã, e hoje eu não sei se terei coragem para fazer o café da manhã.

Agora fico imaginando, o que será que ela faz da vida? Ela tem uma banda, é claro, mas a banda é recente, não deve gerar renda. Ainda. Ela trabalha? Os pais dela são ricos e ela faz o que quer da vida? Herdou muitas casas e vive dos aluguéis? Não faço ideia.

Mais da metade dos meus dias são pensamentos introspectivos e questionamentos. Eu queria uma vida mais leve, mas minha cabeça não deixa.

Pego um cigarro no maço de Ana, vou até a sala, acendo-o. Não me lembro qual foi a última vez que fumei, mas este cigarro está deliciosamente saboroso.

A televisão numa segunda pela manhã só tem tragédias. Acidente na rodovia: família que voltava da praia bate frontalmente com caminhão. Todos morrem. Capotamento perto de trevo causa congestionamento e carro em alta velocidade entra embaixo de caminhão que estava parado. Todos morrem. Família é atacada por pai alcoolizado após comemoração de casamento da filha. Pelo menos um suicídio na lista. Mas antes ele matou a família. Todos morrem.

A morte está tão presente quanto a vida.

-Assistindo ao noticiário a esta hora? - não vi Ana acordando.
-Apenas acordei mais cedo do que esperava! - sorri para ela. Ela me faz sorrir.
-Haja coragem... - que cara fofa de cansaço.
-Um pouco. Na verdade eu estava tomando coragem para fazer o café, então nada melhor que um desafio antes de outro. - que humor babaca.
-Como você é lindo! Mas não precisa fazer café. Eu preciso ir agora. - perguntas rondam minha mente.
-Quer que eu te leve?
-Eu chamei um táxi. Você não descobrirá aonde eu moro! - ela riu. - Não hoje!
-Eu aceito isso! - maldita!

Eu fiquei sozinho, novamente. Ficar sozinho não me incomoda, a não ser quando fico muito ocioso, porque ociosidade resulta em ansiedade, e ansiedade resulta em tédio extremo. Nessas horas eu só consigo escutar uma música e cantar junto. Assim eu relaxo. Assim eu volto ao meu normal.

Escuto alguém buzinar. Segundas e sextas livres? Agora faz sentido. Era o moto-boy, novo envelope, novas ordens. Acho que hoje não ficarei entediado, mas talvez ansioso. Eu já disse o quanto odeio esse emprego? Se eu pudesse voltar no tempo e não ter saído naquela noite e ido aquele maldito bar. O tempo não para.

PEGUE SUA ARMA E SUA CORAGEM, POIS HOJE AS CRIANÇAS IRÃO CHORAR.

Uma bela frase para animar meu trabalho.

ENCONTRE ARMANDO NO ENDEREÇO ABAIXO. DECORE O ENDEREÇO E QUEIME ESTA MENSAGEM.

Só falta isso virar rotina.

Dirijo-me ao local na hora marcada e tento imaginar o que significa "hoje é o dia em que as crianças irão chorar". Tomara que eu não tenha que matar nenhuma criança.

-Paulo, boa tarde! - Armando, seu viado.
-Boa tarde. - seco.
-Trouxe sua arma?
-Sim.
-Que bom. Pode precisar dela hoje. É muito bom fazer o primeiro trabalho sob tensão. Ajuda o raciocínio.
-Assim espero. Quero testar minha capacidade de pensar mesmo.
-Estou gostando deste teu espírito de hoje! É inspirador, Paulo. - ele sorri tanto que eu vou sacar essa arma e atirar na boca dele.

Começamos a caminhar em direção a uma casa de tamanho médio, que aparentemente não pertence a ninguém importante. Aparentemente. Armando carrega uma maleta preta, e eu nem me atrevo a perguntar o que há nela. tocamos a campainha e uma senhora de mais ou menos 65 anos nos recebe.

-Bom dia! Eu gostaria de conversar com o senhor Santana. Ele se encontra? - quanta simpatia, Armando.
-Está sim. qual o seu nome, por favor?
-Armando. Eu avisei-lhe que viria.
-Me desculpe a indelicadeza! Amarildo havia me dito mesmo que viria! Entrem, ele está no escritório, no fim do corredor. - impressionante o modo com que ela mudou de expressão.

Caminhamos lentamente seguindo a senhora até o escritório do senhor Santana. A porta estava aberta e ele estava sentado atrás de uma escrivaninha de mogno, usando óculos escuros e pedindo para que nos sentássemos. Achei estranho ele ter uma máquina de escrever em seu escritório ao invés de um computador. Deve se dar mal com tecnologia.

-Armando, eu receio. - a voz era rouca, como se tivesse câncer de garganta.
-Sim, e este é meu amigo Paulo.
-E o que trás os senhores a casa de um velho homem? - a expressão dele pouco mudava. Devia ser efeito causado pelos óculos.
-Senhor Santana, eu venho lhe trazer uma proposta.
-Proposta? Que tipo de proposta?
-Em relação à sua casa de apoio. Tenho uma proposta para comprá-la. Acredito que ela precisa de uma melhor administração.
-Está me insultando, rapaz? Eu construí essa casa de apoio para crianças carentes com muito suor, e eu só deixarei de administrá-la quando estiver morto!
-Se assim deseja.

Armando colocou a maleta em cima da mesa, abriu-a e dentro tinha uma pistola e um supressor.

-Eu tenho esta pistola e um documento de venda nesta maleta, e cabe apenas ao senhor me dizer qual prefere. - ele colocava o supressor no cano da pistola, vagarosamente.
-Você está louco! - gritou Santana, mas apenas demonstrando irritação em sua voz, pois sua expressão quase não mudara.

Os passos da senhora na direção da sala puderam ser escutados. Ela entrou no escritório e se deparou com Armando armado, e ele apontou a arma para a cabeça dela, como gangsters fazem.

-Não meu senhor! Tenha piedade! - ela tinha desespero estampado em sua face.
-Paulo, me passe sua arma.

Eu entreguei minha arma para ele, e logo em seguida ele entregou a pistola com o supressor para mim. Acho que entendi. Mirei a arma na direção de Santana, peguei o documento dentro da maleta, coloquei-o em cima da escrivaninha.

-Assine-o, ou eu vou assiná-lo com seus miolos. - depois que eu assisti O Poderoso Chefão eu sempre quis dizer isso.
-Não assinarei nada, senhor Paulo. É melhor que me mate agora.
-Se assim deseja. - eu me levantei e mirei entre seus olhos. - Tire esses malditos óculos, eu quero olhar nos seus olhos para te matar, desgraçado. - eu era um poço de calmaria, frio, inóspito.
-Se assim deseja. - disse ele, em tom irônico, enquanto se livrava dos óculos.

Ele tirava os óculos lentamente, e quando terminou de fazê-lo eu só pude sentir um arrepio que veio do começo de minha espinha até a última ponta de meu último fio de cabelo.

-Não vai atirar, senhor Paulo? - sarcástico.

eu fiquei sem reação por um segundo. Eu tentei olhá-lo nos olhos, mas ao invés disso eu via pálpebras costuradas. Uma visão do inferno, mas eu fiz o que pude para me manter firme.

-Diga suas últimas palavras! - eu estava animado para acabar logo com isso.
-Não faça isso senhor! - gritava a velha. Armando bateu com a coronha da minha arma em seu rosto.
-Não liguem para ela. Eu não tenho últimas palavras.
-Que assim seja.

O corpo, que antes estava levemente inclinado para trás, agora amolecera, quase instantaneamente, fazendo com que a cabeça estourada de Santana pendesse para trás e fizesse a cadeira tombar, espalhando pedaços de cérebro pelo chão do pequeno escritório. Um grito de terror vindo da garganta daquela maldita senhora ecoava por toda a sala. Eu não pensei duas vezes.

-Tinha de ser feito. - eu disse.

Armando acenou positivamente com a cabeça. Fomos embora.

sábado, 16 de agosto de 2014

14. Maldito Amor.

Acordo, de novo. Ana está ao meu lado. Eu não estou apenas atraído, eu estou apaixonado por ela. Os cabelos dela espalhados pela cama, sua silhueta especialmente esculpida para agradar meus olhos. Eu encontrei a perfeição nela.

Eu vou preparar um café. Acho que nela vai gostar disso. Nossa. só penso em agradá-la. Eu preciso me controlar. eu vou me controlar.

O café passa pelo coador, eu corto algumas fatias de pão. Que nome terei hoje?

Ana acorda. Ela é linda quando acorda. O corpo desnudo esbanja beleza. Pare. Pare de pensar.

-Quer café? - a pior frase do século.
-Você é um amor, sabia?
-É... - silêncio. - Eu me esforço! - isso, calmo.
-Você preparou tudo isso pra mim?
-E para mim também! - valorizei-me.
-Fofo. - sempre imponente, garota.

Trocas de olhares rolavam sem parar. O toque da pele dela no meu era algo excepcional. Eu ainda não tenho um nome.

Eu quero que ela possa ter algo legal pra fazer. O que podemos fazer? Infinitas possibilidades na minha cabeça, mas eu não quero nenhuma. eu quero ficar aqui com ela, igual a um bobo, hoje, agora. Eu não posso estar apaixonado. Não agora. Mas ela me faz tão bem.

Relaxe. Relaxe.

-Ana. - calei-me. Abracei-a. Beijei-a.

Nada mais foi dito por um momento. Eu e ela tínhamos a sincronia perfeita. Nossa pele combinava. O cheiro de um agradava ao outro. Nossos corpos se encaixavam. a harmonia da natureza estava feita.

Assistimos a um filme mais tarde, deitados, abraçados. Não nos identificamos na história, mas entendíamos do que se tratava. Eu fiquei perdido.

Ela me fez esquecer do maldito emprego que me enfiei. Ela me fez relaxar.

Ainda bem que tenho um ponto de paz, um norteador. Não acredito que tornei ela minha bússola. Tão cedo.

Nós rimos. Brincamos. Amamos.

Nesta noite, fizemos amor.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

13. Semana Do Saco Cheio, Parte 1.

E hoje eu preciso me encontrar com o vereador Carlos Antônio Amadeu. Maldito Amadeu.

Nossa conversa ontem foi rápida, e hoje eu preciso realmente provar à ele que estou pronto para desempenhar este serviço. Ele mal pode esperar; demonstrarei a fúria de meu olhar e a confiança na firmeza de meu tom de voz.

Se eu não passar confiança, quem poderá fazê-lo?

Meu carro ainda não voltou da oficina, eu estou ficando puto com isso. Eu não queria pegar esse maldito taxi novamente, mas estou sem opções.

O porteiro me reconheceu de imediato, interfonou e falou todo aquele clichê.

Caminhei calmamente pelo chão de ladrilhos uniformes, postura ereta, cabeça sutilmente erguida, passos firmes. Tudo começou pela minha expressão corporal. Eu entrei tanto nesse personagem chamado Paulo que até o modo de acender um cigarro é particular, imponente. Imaginem toda essa virilidade no sexo.

Minha mente está vazia. Toco a campainha.

-Paulo! é um prazer vê-lo novamente! - ele sorri de uma forma que me irrita. Essas rugas em seu rosto parecem formar uma máscara de canalha.
-Bom dia senhor Amadeu! Eu avisei que viria e espero que tenha pensado no que conversamos. - cínico. Cínico. Cínico.
-Eu aguardei ansioso pela sua vinda. Pensei muito sobre o assunto. Entre, por favor!

Me sentei numa poltrona e retirei os óculos escuros que encobriam meu olhar. Olhe nos meus olhos.

-Quais são suas perguntas, senhor amadeu?
-Não me chame de senhor! Pode me chamar de Carlos, torna nosso trabalho mais casual, Paulo. - Sua ironia ecoou por toda a sala, mas eu mantive minha postura.
-Quais suas perguntas, Carlos. - ironia se responde com sarcasmo. Cinismo se responde com ironia.
-Primeiramente, eu fiquei muito interessado em você. seu perfil é o que preciso para ajudar-me na gerência de certos trabalhos. eu já tenho algumas pessoas trabalhando para mim, e em breve você irá conhecê-las, mas me diga, como ficou sabendo desse serviço? - ele está me desafiando?
-Carlos, eu não responderei essa pergunta. Mas fico feliz que ficou interessado.
-Por que não responderá, filho? - se eu odeio que me chamem de garoto, imagine de filho.
-Porque... - inclino-me levemente para frente e o olho no fundo dos olhos. - ...eu não confio no senhor.
-Magnífico! - quem responde assim? - Você está a me surpreender cada vez mais, Paulo!
-É um dom.
-Estou gostando de seus dons. Eles me interessam. Acho que você já notou que sou uma pessoa bem interessada. - se ele fizer outro trocadilho besta eu o mato, mas por hora, vou sorrir.
-Gosta tanto que precisa de pessoas aptas para gerenciá-los.
-Exato. Eu tenho os melhores homens para cuidar disso, então a minha segunda pergunta é, você se considera o homem certo para essas atividades ou apenas está querendo me provar algo?
-Eu já provei o que tinha de provar. - inflexível.
-Eu gosto do seu jeito, garoto. - maldito. Maldito. Maldito.
-Então estamos no caminho certo. - nunca precisei me segurar tanto.
-Estamos. - ele se levanta e pega o celular. - Armando, estacione o carro na porta de minha casa, preciso que leve um novo funcionário até sua casa. Obrigado. - ele larga o celular e me olha de forma estranha. - Paulo, meu motorista, Armando, irá te levar até sua casa e lhe passará algumas instruções sobre o novo serviço. Espero que vocês se deem bem. Armando é um homem duro, assim como você.
-Eu agradeço sua paciência, Carlos. - sorrio cinicamente mais uma vez.
-Até mais, Paulo. Espero que nos vejamos em breve!

Saio pela porta e um luxuoso sedan preto me aguarda. Armando, o motorista, segura a porta do passageiro aberta.

-Entre, senhor. - sujeito estranho e submisso.

Entro no carro e coloco o cinto de segurança. Só confio quando eu estou dirigindo. É um vício.

-Aonde o senhor mora? - sabia que ele ia perguntar.

Ele começa a dirigir. Entre nós, apenas o leve ruído do motor.

-Você está preparado para este serviço? - ele quebrou o silêncio.
-Eu nasci pronto. - frases feitas às vezes são legais.
-Tem uma arma?
-Não. Nunca precisei.
-Deveria arranjar uma. Pode precisar.
-Animador.
-Vou te mostrar uma coisa, senhor Paulo.

Armando mudou o caminho que fazia e me levou para uma fábrica que ficava na parte industrial da cidade. O local era muito barulhento, muitas pessoas indo de um lado para o outro. eu não consegui entender o porquê de estarmos ali num primeiro momento.

-Vê essas pessoas trabalhando?
-Não sou cego.
-E nem mudo, pelo que percebi. - ele já deve estar me odiando. Ótimo. - Essas pessoas estão trabalhando para alguém, e o que mantém elas empregadas é o respeito que têm por este alguém.
-Qual o ponto que quer chegar, senho Armando?
-O ponto... - ele se vira para mim com um olhar ameaçador. - ...senhor Paulo, é que você deve ser leal ao seu empregador, pois este serviço depende basicamente disso. Você já mentiu seu nome, então qual será a próxima mentira? Não vá me dizer que já foi militar e sabe usar uma M4. Eu não confio em você, mas curiosamente nosso patrão sim. Meu serviço é desconfiar de você, saber se está fazendo as coisas da forma que devem ser feitas. Se você contar detalhes de seus serviços para quem seja, amanhã... - ele apontou para alguns homens que carregavam caixotes com restos de carne. - ...você estará dentro de um desses caixotes e suas gorduras irão virar sabão.

Agora me dei conta que esse lugar é um abatedouro. Frigorífico Fortaleza, um empreendimento do vereador Amadeu.

-Senhor Armando, eu não sei o porquê de você querer me dizer tudo isso, mas acredito que você irá parar antes de mim naqueles caixotes caso continue a me ameaçar, entendeu bem? - meu olhar de Clint Eastwood é infalível.
-Eu não contaria tanto com isso, senhor Paulo. - ou quase infalível. - Entre no carro, te levarei embora.

O resto do caminho foi um completo silêncio.

Enfim em casa. Eu mal comecei essa merda e já estou completamente estressado. Não sei porque fui me infiltrar nesse mundo maldito. não ganharei nada com isso.

O telefone toca, eu estou uma pilha de nervos agora que desci do palco imaginário em que atuo como um cara durão. Meu carro está pronto, pelo menos não dependerei mais dos serviços de Armando.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

12. Semana do Saco Cheio, Parte 2.

Eu sempre fui muito inquieto, e minha cabeça sempre dissertou introspecções e manias que se fossem escritas em um livro, a cada começo de capítulo, gerariam o livro mais chato da história.

Estou ansioso para descobrir o que farei nesse tão esperado serviço para o vereador Amadeu. Alan poderia me dar uma luz, mas será que consigo encontrá-lo no bar? Esse cara é meio foda de encontrar.

Relutante, eu saio de casa. Essas minhas férias estavam me consumindo.

Bar sujo, gente estranha, dose de conhaque. Está virando rotina.

Bebo uma dose. Bebo duas. Bebo três. Nada desse maldito velho gordo chegar aqui. Acho que não é todo mundo que vem a um bar beber todos os dias. Bebo quatro. Eu preciso saber no que estou me enfiando. Bebo cinco. Eu quero saber no que estou me enfiando. Bebo seis...

O mundo gira a toda a velocidade. Quem sou eu?

Se eu pudesse fazer algo para descobrir aonde Alan mora, eu faria. Mas talvez eu possa.

A mulher do bar me olha com cara de poucos amigos, eu retorno o olhar.

-Por favor... - digo mole. - Você saberia me dizer aonde mora um velho gordo chamado Alan? - genialmente perguntei.
-Alan? - ela fez uma cara que não sei descrever. - Não me lembro de nenhum Alan, velho e gordo. O senhor tem certeza de que já o viu aqui?
-Eu encontrei com ele várias vezes aqui. Aquele maldito... - cambaleei. - Eu preciso encontrá-lo.
-Senhor, eu não sei do que está falando, mas me parece que está bêbado demais para saber o que está falando.

Velha maldita. Estou bêbado, mas sei o que digo. Eu não sou igual a esses vermes que frequentam essa merda todos os dias, embora eu esteja aqui sempre, ultimamente.

-Mas você tem certeza que não o viu por aqui? - insisti, mas quase desistindo. Essa velha deve ter a memória péssima.
-Absoluta. Não conheço nenhum Alan.
-Foda-se... - coloquei o dinheiro sobre a mesa e dei as costas. - Fique com o troco. - eu sempre quis dizer isso.

Não conhece nenhum Alan. Não acredito! Aquele filho de uma puta deve ter dito para ela não falar nada sobre ele. Cheio de segredinhos. Sempre cheio de segredinhos. Ele vai ver na hora que eu resolver me rebelar. Não é porque me surpreendeu em uma noite que eu vou deixar ele fazer o que quiser comigo. Não mesmo!

Eu não sei pra que lado fica minha casa, mas chegarei lá.