Eu sempre fui muito inquieto, e minha cabeça sempre dissertou introspecções e manias que se fossem escritas em um livro, a cada começo de capítulo, gerariam o livro mais chato da história.
Estou ansioso para descobrir o que farei nesse tão esperado serviço para o vereador Amadeu. Alan poderia me dar uma luz, mas será que consigo encontrá-lo no bar? Esse cara é meio foda de encontrar.
Relutante, eu saio de casa. Essas minhas férias estavam me consumindo.
Bar sujo, gente estranha, dose de conhaque. Está virando rotina.
Bebo uma dose. Bebo duas. Bebo três. Nada desse maldito velho gordo chegar aqui. Acho que não é todo mundo que vem a um bar beber todos os dias. Bebo quatro. Eu preciso saber no que estou me enfiando. Bebo cinco. Eu quero saber no que estou me enfiando. Bebo seis...
O mundo gira a toda a velocidade. Quem sou eu?
Se eu pudesse fazer algo para descobrir aonde Alan mora, eu faria. Mas talvez eu possa.
A mulher do bar me olha com cara de poucos amigos, eu retorno o olhar.
-Por favor... - digo mole. - Você saberia me dizer aonde mora um velho gordo chamado Alan? - genialmente perguntei.
-Alan? - ela fez uma cara que não sei descrever. - Não me lembro de nenhum Alan, velho e gordo. O senhor tem certeza de que já o viu aqui?
-Eu encontrei com ele várias vezes aqui. Aquele maldito... - cambaleei. - Eu preciso encontrá-lo.
-Senhor, eu não sei do que está falando, mas me parece que está bêbado demais para saber o que está falando.
Velha maldita. Estou bêbado, mas sei o que digo. Eu não sou igual a esses vermes que frequentam essa merda todos os dias, embora eu esteja aqui sempre, ultimamente.
-Mas você tem certeza que não o viu por aqui? - insisti, mas quase desistindo. Essa velha deve ter a memória péssima.
-Absoluta. Não conheço nenhum Alan.
-Foda-se... - coloquei o dinheiro sobre a mesa e dei as costas. - Fique com o troco. - eu sempre quis dizer isso.
Não conhece nenhum Alan. Não acredito! Aquele filho de uma puta deve ter dito para ela não falar nada sobre ele. Cheio de segredinhos. Sempre cheio de segredinhos. Ele vai ver na hora que eu resolver me rebelar. Não é porque me surpreendeu em uma noite que eu vou deixar ele fazer o que quiser comigo. Não mesmo!
Eu não sei pra que lado fica minha casa, mas chegarei lá.
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