Dentre todas as opções, ela me escolheu. Ou eu escolhi ela? Foi destino? Aconteceu por acaso? Aconteceu porque eu tomei uma atitude? Essa última me convence mais. Mas a seleção natural parece autêntica nesse caso, também.
Vejo o corpo nu de Ana, deitada em minha cama, com algumas partes cobertas pelo lençol azul marinho, contrastando com o branco pálido da cor de sua pele. Apenas essa visão já me leva ao êxtase.
Eu estou completamente envolvido nesse romance sinistro, em que não sei quase nada sobre ela, e ela não sabe o que sabe de mim. Muito mistério, muita pretensão. Só sabemos que nos damos bem na cama.
A televisão ligada apenas para ter algum barulho no ambiente, e eu me pego distraído, sentado no sofá da sala, imóvel, até ser surpreendido pelas mãos de Ana pousando em meus ombros. Não vi ela acordando.
- Bom dia. - disse à ela, sorrindo.
- Bom dia, senhor! - ela respondeu, animada.
- Parece que alguém dormiu bem.
- E parece que não fui só eu! - como ela está cativante.
- Fico assim quando estou feliz! - meu sorriso torto entregava meus sentimentos.
- Bobo!
Ela ficou deitada no sofá, com a cabeça em meu colo, e eu apenas a observava repousar, deslizando as pontas dos meus dedos por seus cabelos, sentindo o cheiro dela inflando minhas narinas... Estou perdido.
- Você é o cara mais estranho que eu já conheci. - disse ela, com voz de sono.
- Eu tenho um jeito estranho de fazer as coisas. - calmo.
- É verdade, Nemo Nobody! - disse rindo.
- Acontece... - calmo.
- Parece que isso não te afetou... - inquisitiva.
- Eu disse que tinha um jeito estranho de fazer as coisas. - esboçando um sorriso. Calmo.
- E toda essa estranhesa, essa carga de mistério que o abriga, rapaz sem nome, como é viver isso?
- Estranho! - rindo. Calmo.
- Eu quero mais... Diga mais... - ela me olhou como uma predadora sedenta.
- Às vezes eu não sei quem sou. Eu digo que sou alguém, mas vivo outra vida, paralela, que eu nem sei se é real. Eu não sou um só, ou apenas vivo por dois. Ou por mais, quem sabe. Eu sei como lidar com qualquer problema recorrente à mim, nesse momento, mas isso não me torna um conhecedor do meu íntimo, é apenas uma habilidade desenvolvida. Talvez eu viva tentando me descobrir, Talvez eu nunca descubra quem eu sou. - inquieto.
Ela me observou por um tempo, voltou a deitar sua cabeça em meu colo, segurou minha mão com firmeza e a puxou para junto de seu rosto.
- O que estamos vivendo? - perguntou ela.
- Talvez apenas a realidade. Mas eu nem sei oque é real, ou normal.
- Mas acha alguma coisa?
- Sobre o que?
- Ser normal...
- Acho que ser normal é respeitar o espaço do outro. Não me embaso em leis para viver. Eu apenas navego pelo mar do mundo, cruzando caminhos, saindo do normal e concluindo o natural. Mas quem sou eu? - respondi.
- Você está sendo normal ou natural, agora?
- Real.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
terça-feira, 28 de outubro de 2014
16. Se fosse bom não chamaria Segunda-feira.
Eu poderia estar pensando em um milhão de coisas, mas minha mente está praticamente vazia.
-Paulo, você está bem? - não sabia que Armando era de se preocupar com os outros.
-Sim. - minha frieza era exatamente igual a da hora que o encontrei.
-Você já havia matado antes? Pareceu algo natural para você.
-Nunca. Eu apenas fiz o que deveria fazer.
-Fez bem. - ele dizia de maneira tranquila e continuava a dirigir.
-Já matou muita gente nesse ramo, Armando?
-Algumas.
-Quantas?
-Perdi as contas faz tempo. Mas sei que você matou duas pessoas. - ele deu um sorriso irônico.
-E eu nem sei exatamente o porquê de ter feito isso.
-Porque fez uma escolha. Escolheu estar dentro da sujeira do mundo. Agora você a defende com sua vida. - ele foi completamente sério agora.
-E se eu não estou enganado, é um caminho sem volta.
-Talvez tenha, mas depois de um tempo se torna tão comum que você não quer mais voltar.
Não querer voltar. Acho que isso vi ecoar dentro de minha cabeça até meu último segundo de vida. Eu sinto uma pequena aflição em pensar que talvez eu mate pessoas inocentes para defender um sistema podre que se esconde atrás de uma maquiagem, de pessoas engomadas, e que a população apenas acha que rouba verbas públicas para enriquecer. É bem pior. Realmente é muito pior. Eles vão até as últimas consequências para seus interesses. Se querem dinheiro, matam, estimulam o tráfico de drogas, roubam, matam novamente. Se querem publicidade apenas se arrumam e respiram fundo antes de fazer um belíssimo pronunciamento, ajudando instituições, inaugurando novos leitos em hospitais. A sujeira é tão grande que, no fim das contas, o único jeito de se manter inteiro é sendo parte dela, mas isso significa que fazemos o trabalho sujo.
-Por que está pensativo?
-Porque o que me disse fez tanto sentido quanto tudo o que eu já havia vivido.
-Fique tranquilo. Você pode chegar em sua casa, assistir televisão, comer alguma coisa, tomar um banho, dormir. Algum dia não pensará tanto no que acabou de fazer, mas sim no que está fazendo, e isso é o que te confortará. - tudo soava normal para ele.
-E eu que achei que não seria algo duradouro.
-Se te disseram isso, mentiram.
-Eu sei.
Mais um momento dentro de meus pensamentos. Preciso encontrar Alan e fazer algumas perguntas à ele, porque se eu descobrir que ele me enganou quando disse que seria passageiro, juro que o tornarei a terceira pessoa em minha lista de homicídios.
Armando me deixou em casa, mas eu não queria estar aqui. Eu quero ir pra algum lugar que me permita esquecer de tudo.
Tudo.
Eu devo ter cochilado. Dormir no sofá com uma arma na cintura não é muito recomendável, sinto uma dor incomoda em minhas costas. A televisão ligada iluminando o cômodo escuro, minha cabeça ainda um pouco estonteada, como se eu estivesse levemente entorpecido.
Jogo um pouco de água em meu rosto e começo prestar atenção no noticiário. A reportagem estava no fim, mas eu conheço aquela casa. Eu estive lá hoje. Já encontraram os corpos.
-Paulo, você está bem? - não sabia que Armando era de se preocupar com os outros.
-Sim. - minha frieza era exatamente igual a da hora que o encontrei.
-Você já havia matado antes? Pareceu algo natural para você.
-Nunca. Eu apenas fiz o que deveria fazer.
-Fez bem. - ele dizia de maneira tranquila e continuava a dirigir.
-Já matou muita gente nesse ramo, Armando?
-Algumas.
-Quantas?
-Perdi as contas faz tempo. Mas sei que você matou duas pessoas. - ele deu um sorriso irônico.
-E eu nem sei exatamente o porquê de ter feito isso.
-Porque fez uma escolha. Escolheu estar dentro da sujeira do mundo. Agora você a defende com sua vida. - ele foi completamente sério agora.
-E se eu não estou enganado, é um caminho sem volta.
-Talvez tenha, mas depois de um tempo se torna tão comum que você não quer mais voltar.
Não querer voltar. Acho que isso vi ecoar dentro de minha cabeça até meu último segundo de vida. Eu sinto uma pequena aflição em pensar que talvez eu mate pessoas inocentes para defender um sistema podre que se esconde atrás de uma maquiagem, de pessoas engomadas, e que a população apenas acha que rouba verbas públicas para enriquecer. É bem pior. Realmente é muito pior. Eles vão até as últimas consequências para seus interesses. Se querem dinheiro, matam, estimulam o tráfico de drogas, roubam, matam novamente. Se querem publicidade apenas se arrumam e respiram fundo antes de fazer um belíssimo pronunciamento, ajudando instituições, inaugurando novos leitos em hospitais. A sujeira é tão grande que, no fim das contas, o único jeito de se manter inteiro é sendo parte dela, mas isso significa que fazemos o trabalho sujo.
-Por que está pensativo?
-Porque o que me disse fez tanto sentido quanto tudo o que eu já havia vivido.
-Fique tranquilo. Você pode chegar em sua casa, assistir televisão, comer alguma coisa, tomar um banho, dormir. Algum dia não pensará tanto no que acabou de fazer, mas sim no que está fazendo, e isso é o que te confortará. - tudo soava normal para ele.
-E eu que achei que não seria algo duradouro.
-Se te disseram isso, mentiram.
-Eu sei.
Mais um momento dentro de meus pensamentos. Preciso encontrar Alan e fazer algumas perguntas à ele, porque se eu descobrir que ele me enganou quando disse que seria passageiro, juro que o tornarei a terceira pessoa em minha lista de homicídios.
Armando me deixou em casa, mas eu não queria estar aqui. Eu quero ir pra algum lugar que me permita esquecer de tudo.
Tudo.
Eu devo ter cochilado. Dormir no sofá com uma arma na cintura não é muito recomendável, sinto uma dor incomoda em minhas costas. A televisão ligada iluminando o cômodo escuro, minha cabeça ainda um pouco estonteada, como se eu estivesse levemente entorpecido.
Jogo um pouco de água em meu rosto e começo prestar atenção no noticiário. A reportagem estava no fim, mas eu conheço aquela casa. Eu estive lá hoje. Já encontraram os corpos.
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
15. Não fale comigo nas segundas.
Às vezes me pergunto o que é a morte. Será que ela é tão implacável como pensamos, ou será apenas algo comum, assim como pensavam os vikings? A morte significa tanto na sociedade atual, pelo menos a que habito, que eu não sei se ela representa muito ou pouco para mim. Eu sinto que a encarei bem de perto essa semana, mas depois desses momentos eu só queria me sentir mais vivo. O que é o final de uma história quando o meio dela é sensacional? Ainda valorizamos demais o final, deixando para trás o conteúdo.
Ana está deitada em minha cama, dormindo como uma deusa. Eu estou sentado, são 5 e meia da manhã, e hoje eu não sei se terei coragem para fazer o café da manhã.
Agora fico imaginando, o que será que ela faz da vida? Ela tem uma banda, é claro, mas a banda é recente, não deve gerar renda. Ainda. Ela trabalha? Os pais dela são ricos e ela faz o que quer da vida? Herdou muitas casas e vive dos aluguéis? Não faço ideia.
Mais da metade dos meus dias são pensamentos introspectivos e questionamentos. Eu queria uma vida mais leve, mas minha cabeça não deixa.
Pego um cigarro no maço de Ana, vou até a sala, acendo-o. Não me lembro qual foi a última vez que fumei, mas este cigarro está deliciosamente saboroso.
A televisão numa segunda pela manhã só tem tragédias. Acidente na rodovia: família que voltava da praia bate frontalmente com caminhão. Todos morrem. Capotamento perto de trevo causa congestionamento e carro em alta velocidade entra embaixo de caminhão que estava parado. Todos morrem. Família é atacada por pai alcoolizado após comemoração de casamento da filha. Pelo menos um suicídio na lista. Mas antes ele matou a família. Todos morrem.
A morte está tão presente quanto a vida.
-Assistindo ao noticiário a esta hora? - não vi Ana acordando.
-Apenas acordei mais cedo do que esperava! - sorri para ela. Ela me faz sorrir.
-Haja coragem... - que cara fofa de cansaço.
-Um pouco. Na verdade eu estava tomando coragem para fazer o café, então nada melhor que um desafio antes de outro. - que humor babaca.
-Como você é lindo! Mas não precisa fazer café. Eu preciso ir agora. - perguntas rondam minha mente.
-Quer que eu te leve?
-Eu chamei um táxi. Você não descobrirá aonde eu moro! - ela riu. - Não hoje!
-Eu aceito isso! - maldita!
Eu fiquei sozinho, novamente. Ficar sozinho não me incomoda, a não ser quando fico muito ocioso, porque ociosidade resulta em ansiedade, e ansiedade resulta em tédio extremo. Nessas horas eu só consigo escutar uma música e cantar junto. Assim eu relaxo. Assim eu volto ao meu normal.
Escuto alguém buzinar. Segundas e sextas livres? Agora faz sentido. Era o moto-boy, novo envelope, novas ordens. Acho que hoje não ficarei entediado, mas talvez ansioso. Eu já disse o quanto odeio esse emprego? Se eu pudesse voltar no tempo e não ter saído naquela noite e ido aquele maldito bar. O tempo não para.
PEGUE SUA ARMA E SUA CORAGEM, POIS HOJE AS CRIANÇAS IRÃO CHORAR.
Uma bela frase para animar meu trabalho.
ENCONTRE ARMANDO NO ENDEREÇO ABAIXO. DECORE O ENDEREÇO E QUEIME ESTA MENSAGEM.
Só falta isso virar rotina.
Dirijo-me ao local na hora marcada e tento imaginar o que significa "hoje é o dia em que as crianças irão chorar". Tomara que eu não tenha que matar nenhuma criança.
-Paulo, boa tarde! - Armando, seu viado.
-Boa tarde. - seco.
-Trouxe sua arma?
-Sim.
-Que bom. Pode precisar dela hoje. É muito bom fazer o primeiro trabalho sob tensão. Ajuda o raciocínio.
-Assim espero. Quero testar minha capacidade de pensar mesmo.
-Estou gostando deste teu espírito de hoje! É inspirador, Paulo. - ele sorri tanto que eu vou sacar essa arma e atirar na boca dele.
Começamos a caminhar em direção a uma casa de tamanho médio, que aparentemente não pertence a ninguém importante. Aparentemente. Armando carrega uma maleta preta, e eu nem me atrevo a perguntar o que há nela. tocamos a campainha e uma senhora de mais ou menos 65 anos nos recebe.
-Bom dia! Eu gostaria de conversar com o senhor Santana. Ele se encontra? - quanta simpatia, Armando.
-Está sim. qual o seu nome, por favor?
-Armando. Eu avisei-lhe que viria.
-Me desculpe a indelicadeza! Amarildo havia me dito mesmo que viria! Entrem, ele está no escritório, no fim do corredor. - impressionante o modo com que ela mudou de expressão.
Caminhamos lentamente seguindo a senhora até o escritório do senhor Santana. A porta estava aberta e ele estava sentado atrás de uma escrivaninha de mogno, usando óculos escuros e pedindo para que nos sentássemos. Achei estranho ele ter uma máquina de escrever em seu escritório ao invés de um computador. Deve se dar mal com tecnologia.
-Armando, eu receio. - a voz era rouca, como se tivesse câncer de garganta.
-Sim, e este é meu amigo Paulo.
-E o que trás os senhores a casa de um velho homem? - a expressão dele pouco mudava. Devia ser efeito causado pelos óculos.
-Senhor Santana, eu venho lhe trazer uma proposta.
-Proposta? Que tipo de proposta?
-Em relação à sua casa de apoio. Tenho uma proposta para comprá-la. Acredito que ela precisa de uma melhor administração.
-Está me insultando, rapaz? Eu construí essa casa de apoio para crianças carentes com muito suor, e eu só deixarei de administrá-la quando estiver morto!
-Se assim deseja.
Armando colocou a maleta em cima da mesa, abriu-a e dentro tinha uma pistola e um supressor.
-Eu tenho esta pistola e um documento de venda nesta maleta, e cabe apenas ao senhor me dizer qual prefere. - ele colocava o supressor no cano da pistola, vagarosamente.
-Você está louco! - gritou Santana, mas apenas demonstrando irritação em sua voz, pois sua expressão quase não mudara.
Os passos da senhora na direção da sala puderam ser escutados. Ela entrou no escritório e se deparou com Armando armado, e ele apontou a arma para a cabeça dela, como gangsters fazem.
-Não meu senhor! Tenha piedade! - ela tinha desespero estampado em sua face.
-Paulo, me passe sua arma.
Eu entreguei minha arma para ele, e logo em seguida ele entregou a pistola com o supressor para mim. Acho que entendi. Mirei a arma na direção de Santana, peguei o documento dentro da maleta, coloquei-o em cima da escrivaninha.
-Assine-o, ou eu vou assiná-lo com seus miolos. - depois que eu assisti O Poderoso Chefão eu sempre quis dizer isso.
-Não assinarei nada, senhor Paulo. É melhor que me mate agora.
-Se assim deseja. - eu me levantei e mirei entre seus olhos. - Tire esses malditos óculos, eu quero olhar nos seus olhos para te matar, desgraçado. - eu era um poço de calmaria, frio, inóspito.
-Se assim deseja. - disse ele, em tom irônico, enquanto se livrava dos óculos.
Ele tirava os óculos lentamente, e quando terminou de fazê-lo eu só pude sentir um arrepio que veio do começo de minha espinha até a última ponta de meu último fio de cabelo.
-Não vai atirar, senhor Paulo? - sarcástico.
eu fiquei sem reação por um segundo. Eu tentei olhá-lo nos olhos, mas ao invés disso eu via pálpebras costuradas. Uma visão do inferno, mas eu fiz o que pude para me manter firme.
-Diga suas últimas palavras! - eu estava animado para acabar logo com isso.
-Não faça isso senhor! - gritava a velha. Armando bateu com a coronha da minha arma em seu rosto.
-Não liguem para ela. Eu não tenho últimas palavras.
-Que assim seja.
O corpo, que antes estava levemente inclinado para trás, agora amolecera, quase instantaneamente, fazendo com que a cabeça estourada de Santana pendesse para trás e fizesse a cadeira tombar, espalhando pedaços de cérebro pelo chão do pequeno escritório. Um grito de terror vindo da garganta daquela maldita senhora ecoava por toda a sala. Eu não pensei duas vezes.
-Tinha de ser feito. - eu disse.
Armando acenou positivamente com a cabeça. Fomos embora.
-Bom dia! Eu gostaria de conversar com o senhor Santana. Ele se encontra? - quanta simpatia, Armando.
-Está sim. qual o seu nome, por favor?
-Armando. Eu avisei-lhe que viria.
-Me desculpe a indelicadeza! Amarildo havia me dito mesmo que viria! Entrem, ele está no escritório, no fim do corredor. - impressionante o modo com que ela mudou de expressão.
Caminhamos lentamente seguindo a senhora até o escritório do senhor Santana. A porta estava aberta e ele estava sentado atrás de uma escrivaninha de mogno, usando óculos escuros e pedindo para que nos sentássemos. Achei estranho ele ter uma máquina de escrever em seu escritório ao invés de um computador. Deve se dar mal com tecnologia.
-Armando, eu receio. - a voz era rouca, como se tivesse câncer de garganta.
-Sim, e este é meu amigo Paulo.
-E o que trás os senhores a casa de um velho homem? - a expressão dele pouco mudava. Devia ser efeito causado pelos óculos.
-Senhor Santana, eu venho lhe trazer uma proposta.
-Proposta? Que tipo de proposta?
-Em relação à sua casa de apoio. Tenho uma proposta para comprá-la. Acredito que ela precisa de uma melhor administração.
-Está me insultando, rapaz? Eu construí essa casa de apoio para crianças carentes com muito suor, e eu só deixarei de administrá-la quando estiver morto!
-Se assim deseja.
Armando colocou a maleta em cima da mesa, abriu-a e dentro tinha uma pistola e um supressor.
-Eu tenho esta pistola e um documento de venda nesta maleta, e cabe apenas ao senhor me dizer qual prefere. - ele colocava o supressor no cano da pistola, vagarosamente.
-Você está louco! - gritou Santana, mas apenas demonstrando irritação em sua voz, pois sua expressão quase não mudara.
Os passos da senhora na direção da sala puderam ser escutados. Ela entrou no escritório e se deparou com Armando armado, e ele apontou a arma para a cabeça dela, como gangsters fazem.
-Não meu senhor! Tenha piedade! - ela tinha desespero estampado em sua face.
-Paulo, me passe sua arma.
Eu entreguei minha arma para ele, e logo em seguida ele entregou a pistola com o supressor para mim. Acho que entendi. Mirei a arma na direção de Santana, peguei o documento dentro da maleta, coloquei-o em cima da escrivaninha.
-Assine-o, ou eu vou assiná-lo com seus miolos. - depois que eu assisti O Poderoso Chefão eu sempre quis dizer isso.
-Não assinarei nada, senhor Paulo. É melhor que me mate agora.
-Se assim deseja. - eu me levantei e mirei entre seus olhos. - Tire esses malditos óculos, eu quero olhar nos seus olhos para te matar, desgraçado. - eu era um poço de calmaria, frio, inóspito.
-Se assim deseja. - disse ele, em tom irônico, enquanto se livrava dos óculos.
Ele tirava os óculos lentamente, e quando terminou de fazê-lo eu só pude sentir um arrepio que veio do começo de minha espinha até a última ponta de meu último fio de cabelo.
-Não vai atirar, senhor Paulo? - sarcástico.
eu fiquei sem reação por um segundo. Eu tentei olhá-lo nos olhos, mas ao invés disso eu via pálpebras costuradas. Uma visão do inferno, mas eu fiz o que pude para me manter firme.
-Diga suas últimas palavras! - eu estava animado para acabar logo com isso.
-Não faça isso senhor! - gritava a velha. Armando bateu com a coronha da minha arma em seu rosto.
-Não liguem para ela. Eu não tenho últimas palavras.
-Que assim seja.
O corpo, que antes estava levemente inclinado para trás, agora amolecera, quase instantaneamente, fazendo com que a cabeça estourada de Santana pendesse para trás e fizesse a cadeira tombar, espalhando pedaços de cérebro pelo chão do pequeno escritório. Um grito de terror vindo da garganta daquela maldita senhora ecoava por toda a sala. Eu não pensei duas vezes.
-Tinha de ser feito. - eu disse.
Armando acenou positivamente com a cabeça. Fomos embora.
sábado, 16 de agosto de 2014
14. Maldito Amor.
Acordo, de novo. Ana está ao meu lado. Eu não estou apenas atraído, eu estou apaixonado por ela. Os cabelos dela espalhados pela cama, sua silhueta especialmente esculpida para agradar meus olhos. Eu encontrei a perfeição nela.
Eu vou preparar um café. Acho que nela vai gostar disso. Nossa. só penso em agradá-la. Eu preciso me controlar. eu vou me controlar.
O café passa pelo coador, eu corto algumas fatias de pão. Que nome terei hoje?
Ana acorda. Ela é linda quando acorda. O corpo desnudo esbanja beleza. Pare. Pare de pensar.
-Quer café? - a pior frase do século.
-Você é um amor, sabia?
-É... - silêncio. - Eu me esforço! - isso, calmo.
-Você preparou tudo isso pra mim?
-E para mim também! - valorizei-me.
-Fofo. - sempre imponente, garota.
Trocas de olhares rolavam sem parar. O toque da pele dela no meu era algo excepcional. Eu ainda não tenho um nome.
Eu quero que ela possa ter algo legal pra fazer. O que podemos fazer? Infinitas possibilidades na minha cabeça, mas eu não quero nenhuma. eu quero ficar aqui com ela, igual a um bobo, hoje, agora. Eu não posso estar apaixonado. Não agora. Mas ela me faz tão bem.
Relaxe. Relaxe.
-Ana. - calei-me. Abracei-a. Beijei-a.
Nada mais foi dito por um momento. Eu e ela tínhamos a sincronia perfeita. Nossa pele combinava. O cheiro de um agradava ao outro. Nossos corpos se encaixavam. a harmonia da natureza estava feita.
Assistimos a um filme mais tarde, deitados, abraçados. Não nos identificamos na história, mas entendíamos do que se tratava. Eu fiquei perdido.
Ela me fez esquecer do maldito emprego que me enfiei. Ela me fez relaxar.
Ainda bem que tenho um ponto de paz, um norteador. Não acredito que tornei ela minha bússola. Tão cedo.
Nós rimos. Brincamos. Amamos.
Nesta noite, fizemos amor.
Eu vou preparar um café. Acho que nela vai gostar disso. Nossa. só penso em agradá-la. Eu preciso me controlar. eu vou me controlar.
O café passa pelo coador, eu corto algumas fatias de pão. Que nome terei hoje?
Ana acorda. Ela é linda quando acorda. O corpo desnudo esbanja beleza. Pare. Pare de pensar.
-Quer café? - a pior frase do século.
-Você é um amor, sabia?
-É... - silêncio. - Eu me esforço! - isso, calmo.
-Você preparou tudo isso pra mim?
-E para mim também! - valorizei-me.
-Fofo. - sempre imponente, garota.
Trocas de olhares rolavam sem parar. O toque da pele dela no meu era algo excepcional. Eu ainda não tenho um nome.
Eu quero que ela possa ter algo legal pra fazer. O que podemos fazer? Infinitas possibilidades na minha cabeça, mas eu não quero nenhuma. eu quero ficar aqui com ela, igual a um bobo, hoje, agora. Eu não posso estar apaixonado. Não agora. Mas ela me faz tão bem.
Relaxe. Relaxe.
-Ana. - calei-me. Abracei-a. Beijei-a.
Nada mais foi dito por um momento. Eu e ela tínhamos a sincronia perfeita. Nossa pele combinava. O cheiro de um agradava ao outro. Nossos corpos se encaixavam. a harmonia da natureza estava feita.
Assistimos a um filme mais tarde, deitados, abraçados. Não nos identificamos na história, mas entendíamos do que se tratava. Eu fiquei perdido.
Ela me fez esquecer do maldito emprego que me enfiei. Ela me fez relaxar.
Ainda bem que tenho um ponto de paz, um norteador. Não acredito que tornei ela minha bússola. Tão cedo.
Nós rimos. Brincamos. Amamos.
Nesta noite, fizemos amor.
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
13. Semana Do Saco Cheio, Parte 1.
E hoje eu preciso me encontrar com o vereador Carlos Antônio Amadeu. Maldito Amadeu.
Nossa conversa ontem foi rápida, e hoje eu preciso realmente provar à ele que estou pronto para desempenhar este serviço. Ele mal pode esperar; demonstrarei a fúria de meu olhar e a confiança na firmeza de meu tom de voz.
Se eu não passar confiança, quem poderá fazê-lo?
Meu carro ainda não voltou da oficina, eu estou ficando puto com isso. Eu não queria pegar esse maldito taxi novamente, mas estou sem opções.
O porteiro me reconheceu de imediato, interfonou e falou todo aquele clichê.
Caminhei calmamente pelo chão de ladrilhos uniformes, postura ereta, cabeça sutilmente erguida, passos firmes. Tudo começou pela minha expressão corporal. Eu entrei tanto nesse personagem chamado Paulo que até o modo de acender um cigarro é particular, imponente. Imaginem toda essa virilidade no sexo.
Minha mente está vazia. Toco a campainha.
-Paulo! é um prazer vê-lo novamente! - ele sorri de uma forma que me irrita. Essas rugas em seu rosto parecem formar uma máscara de canalha.
-Bom dia senhor Amadeu! Eu avisei que viria e espero que tenha pensado no que conversamos. - cínico. Cínico. Cínico.
-Eu aguardei ansioso pela sua vinda. Pensei muito sobre o assunto. Entre, por favor!
Me sentei numa poltrona e retirei os óculos escuros que encobriam meu olhar. Olhe nos meus olhos.
-Quais são suas perguntas, senhor amadeu?
-Não me chame de senhor! Pode me chamar de Carlos, torna nosso trabalho mais casual, Paulo. - Sua ironia ecoou por toda a sala, mas eu mantive minha postura.
-Quais suas perguntas, Carlos. - ironia se responde com sarcasmo. Cinismo se responde com ironia.
-Primeiramente, eu fiquei muito interessado em você. seu perfil é o que preciso para ajudar-me na gerência de certos trabalhos. eu já tenho algumas pessoas trabalhando para mim, e em breve você irá conhecê-las, mas me diga, como ficou sabendo desse serviço? - ele está me desafiando?
-Carlos, eu não responderei essa pergunta. Mas fico feliz que ficou interessado.
-Por que não responderá, filho? - se eu odeio que me chamem de garoto, imagine de filho.
-Porque... - inclino-me levemente para frente e o olho no fundo dos olhos. - ...eu não confio no senhor.
-Magnífico! - quem responde assim? - Você está a me surpreender cada vez mais, Paulo!
-É um dom.
-Estou gostando de seus dons. Eles me interessam. Acho que você já notou que sou uma pessoa bem interessada. - se ele fizer outro trocadilho besta eu o mato, mas por hora, vou sorrir.
-Gosta tanto que precisa de pessoas aptas para gerenciá-los.
-Exato. Eu tenho os melhores homens para cuidar disso, então a minha segunda pergunta é, você se considera o homem certo para essas atividades ou apenas está querendo me provar algo?
-Eu já provei o que tinha de provar. - inflexível.
-Eu gosto do seu jeito, garoto. - maldito. Maldito. Maldito.
-Então estamos no caminho certo. - nunca precisei me segurar tanto.
-Estamos. - ele se levanta e pega o celular. - Armando, estacione o carro na porta de minha casa, preciso que leve um novo funcionário até sua casa. Obrigado. - ele larga o celular e me olha de forma estranha. - Paulo, meu motorista, Armando, irá te levar até sua casa e lhe passará algumas instruções sobre o novo serviço. Espero que vocês se deem bem. Armando é um homem duro, assim como você.
-Eu agradeço sua paciência, Carlos. - sorrio cinicamente mais uma vez.
-Até mais, Paulo. Espero que nos vejamos em breve!
Saio pela porta e um luxuoso sedan preto me aguarda. Armando, o motorista, segura a porta do passageiro aberta.
-Entre, senhor. - sujeito estranho e submisso.
Entro no carro e coloco o cinto de segurança. Só confio quando eu estou dirigindo. É um vício.
-Aonde o senhor mora? - sabia que ele ia perguntar.
Ele começa a dirigir. Entre nós, apenas o leve ruído do motor.
-Você está preparado para este serviço? - ele quebrou o silêncio.
-Eu nasci pronto. - frases feitas às vezes são legais.
-Tem uma arma?
-Não. Nunca precisei.
-Deveria arranjar uma. Pode precisar.
-Animador.
-Vou te mostrar uma coisa, senhor Paulo.
Armando mudou o caminho que fazia e me levou para uma fábrica que ficava na parte industrial da cidade. O local era muito barulhento, muitas pessoas indo de um lado para o outro. eu não consegui entender o porquê de estarmos ali num primeiro momento.
-Vê essas pessoas trabalhando?
-Não sou cego.
-E nem mudo, pelo que percebi. - ele já deve estar me odiando. Ótimo. - Essas pessoas estão trabalhando para alguém, e o que mantém elas empregadas é o respeito que têm por este alguém.
-Qual o ponto que quer chegar, senho Armando?
-O ponto... - ele se vira para mim com um olhar ameaçador. - ...senhor Paulo, é que você deve ser leal ao seu empregador, pois este serviço depende basicamente disso. Você já mentiu seu nome, então qual será a próxima mentira? Não vá me dizer que já foi militar e sabe usar uma M4. Eu não confio em você, mas curiosamente nosso patrão sim. Meu serviço é desconfiar de você, saber se está fazendo as coisas da forma que devem ser feitas. Se você contar detalhes de seus serviços para quem seja, amanhã... - ele apontou para alguns homens que carregavam caixotes com restos de carne. - ...você estará dentro de um desses caixotes e suas gorduras irão virar sabão.
Agora me dei conta que esse lugar é um abatedouro. Frigorífico Fortaleza, um empreendimento do vereador Amadeu.
-Senhor Armando, eu não sei o porquê de você querer me dizer tudo isso, mas acredito que você irá parar antes de mim naqueles caixotes caso continue a me ameaçar, entendeu bem? - meu olhar de Clint Eastwood é infalível.
-Eu não contaria tanto com isso, senhor Paulo. - ou quase infalível. - Entre no carro, te levarei embora.
O resto do caminho foi um completo silêncio.
Enfim em casa. Eu mal comecei essa merda e já estou completamente estressado. Não sei porque fui me infiltrar nesse mundo maldito. não ganharei nada com isso.
O telefone toca, eu estou uma pilha de nervos agora que desci do palco imaginário em que atuo como um cara durão. Meu carro está pronto, pelo menos não dependerei mais dos serviços de Armando.
Nossa conversa ontem foi rápida, e hoje eu preciso realmente provar à ele que estou pronto para desempenhar este serviço. Ele mal pode esperar; demonstrarei a fúria de meu olhar e a confiança na firmeza de meu tom de voz.
Se eu não passar confiança, quem poderá fazê-lo?
Meu carro ainda não voltou da oficina, eu estou ficando puto com isso. Eu não queria pegar esse maldito taxi novamente, mas estou sem opções.
O porteiro me reconheceu de imediato, interfonou e falou todo aquele clichê.
Caminhei calmamente pelo chão de ladrilhos uniformes, postura ereta, cabeça sutilmente erguida, passos firmes. Tudo começou pela minha expressão corporal. Eu entrei tanto nesse personagem chamado Paulo que até o modo de acender um cigarro é particular, imponente. Imaginem toda essa virilidade no sexo.
Minha mente está vazia. Toco a campainha.
-Paulo! é um prazer vê-lo novamente! - ele sorri de uma forma que me irrita. Essas rugas em seu rosto parecem formar uma máscara de canalha.
-Bom dia senhor Amadeu! Eu avisei que viria e espero que tenha pensado no que conversamos. - cínico. Cínico. Cínico.
-Eu aguardei ansioso pela sua vinda. Pensei muito sobre o assunto. Entre, por favor!
Me sentei numa poltrona e retirei os óculos escuros que encobriam meu olhar. Olhe nos meus olhos.
-Quais são suas perguntas, senhor amadeu?
-Não me chame de senhor! Pode me chamar de Carlos, torna nosso trabalho mais casual, Paulo. - Sua ironia ecoou por toda a sala, mas eu mantive minha postura.
-Quais suas perguntas, Carlos. - ironia se responde com sarcasmo. Cinismo se responde com ironia.
-Primeiramente, eu fiquei muito interessado em você. seu perfil é o que preciso para ajudar-me na gerência de certos trabalhos. eu já tenho algumas pessoas trabalhando para mim, e em breve você irá conhecê-las, mas me diga, como ficou sabendo desse serviço? - ele está me desafiando?
-Carlos, eu não responderei essa pergunta. Mas fico feliz que ficou interessado.
-Por que não responderá, filho? - se eu odeio que me chamem de garoto, imagine de filho.
-Porque... - inclino-me levemente para frente e o olho no fundo dos olhos. - ...eu não confio no senhor.
-Magnífico! - quem responde assim? - Você está a me surpreender cada vez mais, Paulo!
-É um dom.
-Estou gostando de seus dons. Eles me interessam. Acho que você já notou que sou uma pessoa bem interessada. - se ele fizer outro trocadilho besta eu o mato, mas por hora, vou sorrir.
-Gosta tanto que precisa de pessoas aptas para gerenciá-los.
-Exato. Eu tenho os melhores homens para cuidar disso, então a minha segunda pergunta é, você se considera o homem certo para essas atividades ou apenas está querendo me provar algo?
-Eu já provei o que tinha de provar. - inflexível.
-Eu gosto do seu jeito, garoto. - maldito. Maldito. Maldito.
-Então estamos no caminho certo. - nunca precisei me segurar tanto.
-Estamos. - ele se levanta e pega o celular. - Armando, estacione o carro na porta de minha casa, preciso que leve um novo funcionário até sua casa. Obrigado. - ele larga o celular e me olha de forma estranha. - Paulo, meu motorista, Armando, irá te levar até sua casa e lhe passará algumas instruções sobre o novo serviço. Espero que vocês se deem bem. Armando é um homem duro, assim como você.
-Eu agradeço sua paciência, Carlos. - sorrio cinicamente mais uma vez.
-Até mais, Paulo. Espero que nos vejamos em breve!
Saio pela porta e um luxuoso sedan preto me aguarda. Armando, o motorista, segura a porta do passageiro aberta.
-Entre, senhor. - sujeito estranho e submisso.
Entro no carro e coloco o cinto de segurança. Só confio quando eu estou dirigindo. É um vício.
-Aonde o senhor mora? - sabia que ele ia perguntar.
Ele começa a dirigir. Entre nós, apenas o leve ruído do motor.
-Você está preparado para este serviço? - ele quebrou o silêncio.
-Eu nasci pronto. - frases feitas às vezes são legais.
-Tem uma arma?
-Não. Nunca precisei.
-Deveria arranjar uma. Pode precisar.
-Animador.
-Vou te mostrar uma coisa, senhor Paulo.
Armando mudou o caminho que fazia e me levou para uma fábrica que ficava na parte industrial da cidade. O local era muito barulhento, muitas pessoas indo de um lado para o outro. eu não consegui entender o porquê de estarmos ali num primeiro momento.
-Vê essas pessoas trabalhando?
-Não sou cego.
-E nem mudo, pelo que percebi. - ele já deve estar me odiando. Ótimo. - Essas pessoas estão trabalhando para alguém, e o que mantém elas empregadas é o respeito que têm por este alguém.
-Qual o ponto que quer chegar, senho Armando?
-O ponto... - ele se vira para mim com um olhar ameaçador. - ...senhor Paulo, é que você deve ser leal ao seu empregador, pois este serviço depende basicamente disso. Você já mentiu seu nome, então qual será a próxima mentira? Não vá me dizer que já foi militar e sabe usar uma M4. Eu não confio em você, mas curiosamente nosso patrão sim. Meu serviço é desconfiar de você, saber se está fazendo as coisas da forma que devem ser feitas. Se você contar detalhes de seus serviços para quem seja, amanhã... - ele apontou para alguns homens que carregavam caixotes com restos de carne. - ...você estará dentro de um desses caixotes e suas gorduras irão virar sabão.
Agora me dei conta que esse lugar é um abatedouro. Frigorífico Fortaleza, um empreendimento do vereador Amadeu.
-Senhor Armando, eu não sei o porquê de você querer me dizer tudo isso, mas acredito que você irá parar antes de mim naqueles caixotes caso continue a me ameaçar, entendeu bem? - meu olhar de Clint Eastwood é infalível.
-Eu não contaria tanto com isso, senhor Paulo. - ou quase infalível. - Entre no carro, te levarei embora.
O resto do caminho foi um completo silêncio.
Enfim em casa. Eu mal comecei essa merda e já estou completamente estressado. Não sei porque fui me infiltrar nesse mundo maldito. não ganharei nada com isso.
O telefone toca, eu estou uma pilha de nervos agora que desci do palco imaginário em que atuo como um cara durão. Meu carro está pronto, pelo menos não dependerei mais dos serviços de Armando.
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
12. Semana do Saco Cheio, Parte 2.
Eu sempre fui muito inquieto, e minha cabeça sempre dissertou introspecções e manias que se fossem escritas em um livro, a cada começo de capítulo, gerariam o livro mais chato da história.
Estou ansioso para descobrir o que farei nesse tão esperado serviço para o vereador Amadeu. Alan poderia me dar uma luz, mas será que consigo encontrá-lo no bar? Esse cara é meio foda de encontrar.
Relutante, eu saio de casa. Essas minhas férias estavam me consumindo.
Bar sujo, gente estranha, dose de conhaque. Está virando rotina.
Bebo uma dose. Bebo duas. Bebo três. Nada desse maldito velho gordo chegar aqui. Acho que não é todo mundo que vem a um bar beber todos os dias. Bebo quatro. Eu preciso saber no que estou me enfiando. Bebo cinco. Eu quero saber no que estou me enfiando. Bebo seis...
O mundo gira a toda a velocidade. Quem sou eu?
Se eu pudesse fazer algo para descobrir aonde Alan mora, eu faria. Mas talvez eu possa.
A mulher do bar me olha com cara de poucos amigos, eu retorno o olhar.
-Por favor... - digo mole. - Você saberia me dizer aonde mora um velho gordo chamado Alan? - genialmente perguntei.
-Alan? - ela fez uma cara que não sei descrever. - Não me lembro de nenhum Alan, velho e gordo. O senhor tem certeza de que já o viu aqui?
-Eu encontrei com ele várias vezes aqui. Aquele maldito... - cambaleei. - Eu preciso encontrá-lo.
-Senhor, eu não sei do que está falando, mas me parece que está bêbado demais para saber o que está falando.
Velha maldita. Estou bêbado, mas sei o que digo. Eu não sou igual a esses vermes que frequentam essa merda todos os dias, embora eu esteja aqui sempre, ultimamente.
-Mas você tem certeza que não o viu por aqui? - insisti, mas quase desistindo. Essa velha deve ter a memória péssima.
-Absoluta. Não conheço nenhum Alan.
-Foda-se... - coloquei o dinheiro sobre a mesa e dei as costas. - Fique com o troco. - eu sempre quis dizer isso.
Não conhece nenhum Alan. Não acredito! Aquele filho de uma puta deve ter dito para ela não falar nada sobre ele. Cheio de segredinhos. Sempre cheio de segredinhos. Ele vai ver na hora que eu resolver me rebelar. Não é porque me surpreendeu em uma noite que eu vou deixar ele fazer o que quiser comigo. Não mesmo!
Eu não sei pra que lado fica minha casa, mas chegarei lá.
Estou ansioso para descobrir o que farei nesse tão esperado serviço para o vereador Amadeu. Alan poderia me dar uma luz, mas será que consigo encontrá-lo no bar? Esse cara é meio foda de encontrar.
Relutante, eu saio de casa. Essas minhas férias estavam me consumindo.
Bar sujo, gente estranha, dose de conhaque. Está virando rotina.
Bebo uma dose. Bebo duas. Bebo três. Nada desse maldito velho gordo chegar aqui. Acho que não é todo mundo que vem a um bar beber todos os dias. Bebo quatro. Eu preciso saber no que estou me enfiando. Bebo cinco. Eu quero saber no que estou me enfiando. Bebo seis...
O mundo gira a toda a velocidade. Quem sou eu?
Se eu pudesse fazer algo para descobrir aonde Alan mora, eu faria. Mas talvez eu possa.
A mulher do bar me olha com cara de poucos amigos, eu retorno o olhar.
-Por favor... - digo mole. - Você saberia me dizer aonde mora um velho gordo chamado Alan? - genialmente perguntei.
-Alan? - ela fez uma cara que não sei descrever. - Não me lembro de nenhum Alan, velho e gordo. O senhor tem certeza de que já o viu aqui?
-Eu encontrei com ele várias vezes aqui. Aquele maldito... - cambaleei. - Eu preciso encontrá-lo.
-Senhor, eu não sei do que está falando, mas me parece que está bêbado demais para saber o que está falando.
Velha maldita. Estou bêbado, mas sei o que digo. Eu não sou igual a esses vermes que frequentam essa merda todos os dias, embora eu esteja aqui sempre, ultimamente.
-Mas você tem certeza que não o viu por aqui? - insisti, mas quase desistindo. Essa velha deve ter a memória péssima.
-Absoluta. Não conheço nenhum Alan.
-Foda-se... - coloquei o dinheiro sobre a mesa e dei as costas. - Fique com o troco. - eu sempre quis dizer isso.
Não conhece nenhum Alan. Não acredito! Aquele filho de uma puta deve ter dito para ela não falar nada sobre ele. Cheio de segredinhos. Sempre cheio de segredinhos. Ele vai ver na hora que eu resolver me rebelar. Não é porque me surpreendeu em uma noite que eu vou deixar ele fazer o que quiser comigo. Não mesmo!
Eu não sei pra que lado fica minha casa, mas chegarei lá.
sábado, 21 de junho de 2014
11. Semana do Saco Cheio - Parte 3.
Estamos acostumados a falar da tristeza. É muito mais fácil falar da tristeza do que da alegria. Quando estamos tristes, queremos falar sobre isso, compartilhar nossas aflições esperando que isso diminua o sofrimento que estamos sentindo. Às vezes funciona. quando estamos felizes, geralmente, ficamos ocupados demais aproveitando cada segundo de nossa alegria, não queremos falar sobre isso, a não ser que seja pra compartilhar com alguém, mas não dissertamos sobre ela, apenas falamos.
Eu entrei num maldito trabalho para um maldito cara chamado Amadeu. Um trabalho sujo.
Eu queria falar sobre essa nova e pequena tristeza em minha vida, mas não posso. Se eu falar, amanhã um cara com um revólver vai estourar meus miolos como nos filmes legais.
Essa pequena dose de sarcasmo me relaxa.
Eu não precisava desse maldito emprego, eu só precisava parar de querer o mundo.
Eu pensei em ligar para a Ana hoje, mas ainda é quinta-feira. Pega mal ligar numa quinta-feira à tarde e chamá-la para tomar uma xícara de chá, eu acho.
Sinto que estou bipolar, pois ontem eu estava empolgado devido ao trabalho que consegui, pelo meu carro que volta da oficina na sexta, pelo dinheiro que terei para gastar com o que eu quiser, mas estou estressado, chato. Eu realmente desejo que alguém aponte uma arma para a minha cabeça e diga algo como "quais são suas últimas palavras" ou qualquer baboseira parecida, então eu riria da cara dele e diria algo como "você é muito bicha para puxar esse gatilho. Mas isso não acontecerá, eu choraria ao ver a arma na mão do infeliz.
Estou perplexo, minha casa está limpa, não tem nada que eu queira fazer, eu apenas consigo me irritar com esse turbilhão de ideias estúpidas que fritam meu cérebro. Que coisa maravilhosa.
Eu não quero escutar uma música, não quero usar meu computador, não quero assistir um filme e não quero beber, por incrível que pareça. Eu só queria falar com alguém para retirar minha cabeça desse estado de pensamento maldito. Isto parece impossível agora.
A cada segundo que se passa, minha antipatia começa a consumir a mim mesmo. Esta semana esta um caos. Eu realmente espero que meu fim de semana valha a pena, porque pelo visto só assim para eu liberar todo esse estresse da minha vida.
Eu estou com os nervos a flor da pele, não sei o que fazer...
Eu escutei uma moto buzinando na frente de casa, destranquei a porta e um motoboy estava com um envelope amarelo em suas mãos.
-Você é... - parou para ler o nome no envelope - Paulo?
-Sim.
-É para o senhor. - obviamente.
Pego o envelope e ele vai embora. Estranho, ele não era o carteiro, mas me trouxe uma correspondência.
Entrei em casa e abri o envelope. Dentro havia um mapa com um lugar demarcado, junto de um bilhete com o recado:
ESTEJA NO LUGAR MARCADO NO HORÁRIO QUE ESTÁ ESCRITO NO MAPA. DECORE ESTAS INFORMAÇÕES E QUEIME ESSA CORRESPONDÊNCIA.
Minha vida começou a ficar interessante.
Eu entrei num maldito trabalho para um maldito cara chamado Amadeu. Um trabalho sujo.
Eu queria falar sobre essa nova e pequena tristeza em minha vida, mas não posso. Se eu falar, amanhã um cara com um revólver vai estourar meus miolos como nos filmes legais.
Essa pequena dose de sarcasmo me relaxa.
Eu não precisava desse maldito emprego, eu só precisava parar de querer o mundo.
Eu pensei em ligar para a Ana hoje, mas ainda é quinta-feira. Pega mal ligar numa quinta-feira à tarde e chamá-la para tomar uma xícara de chá, eu acho.
Sinto que estou bipolar, pois ontem eu estava empolgado devido ao trabalho que consegui, pelo meu carro que volta da oficina na sexta, pelo dinheiro que terei para gastar com o que eu quiser, mas estou estressado, chato. Eu realmente desejo que alguém aponte uma arma para a minha cabeça e diga algo como "quais são suas últimas palavras" ou qualquer baboseira parecida, então eu riria da cara dele e diria algo como "você é muito bicha para puxar esse gatilho. Mas isso não acontecerá, eu choraria ao ver a arma na mão do infeliz.
Estou perplexo, minha casa está limpa, não tem nada que eu queira fazer, eu apenas consigo me irritar com esse turbilhão de ideias estúpidas que fritam meu cérebro. Que coisa maravilhosa.
Eu não quero escutar uma música, não quero usar meu computador, não quero assistir um filme e não quero beber, por incrível que pareça. Eu só queria falar com alguém para retirar minha cabeça desse estado de pensamento maldito. Isto parece impossível agora.
A cada segundo que se passa, minha antipatia começa a consumir a mim mesmo. Esta semana esta um caos. Eu realmente espero que meu fim de semana valha a pena, porque pelo visto só assim para eu liberar todo esse estresse da minha vida.
Eu estou com os nervos a flor da pele, não sei o que fazer...
Eu escutei uma moto buzinando na frente de casa, destranquei a porta e um motoboy estava com um envelope amarelo em suas mãos.
-Você é... - parou para ler o nome no envelope - Paulo?
-Sim.
-É para o senhor. - obviamente.
Pego o envelope e ele vai embora. Estranho, ele não era o carteiro, mas me trouxe uma correspondência.
Entrei em casa e abri o envelope. Dentro havia um mapa com um lugar demarcado, junto de um bilhete com o recado:
ESTEJA NO LUGAR MARCADO NO HORÁRIO QUE ESTÁ ESCRITO NO MAPA. DECORE ESTAS INFORMAÇÕES E QUEIME ESSA CORRESPONDÊNCIA.
Minha vida começou a ficar interessante.
domingo, 13 de abril de 2014
10. Semana do saco cheio - Parte 4
Estou tremendo, num beco escuro, no meio da noite, sem saber se alguém poderá encontrar meu corpo podre amanhã.
A arma apontada para o topo de minha cabeça soa ameaçadora, mas quem diria, isso me parece excitante por algum momento insano que rodeia meus pensamentos.
Eu quero explodir tudo. Quero acabar com toda esta existência medíocre que chamamos de vida humana.
Mas vamos recapitular como cheguei nesse ponto lastimável de um dia de trabalho, que deveria ser comum.
Acordo as 7 da manhã, algo pouco usual, já que estou de férias de meu emprego principal. Concluo meus afazeres rotineiros pós despertar, encaro-me diante do espelho como se quisesse destruir minha face, para ver se dava jeito em minha feiura sem tamanho. a noite anterior foi um pouco estressante.
Café da manhã, almoço, café da tarde. Minha vida parece uma merda.
6 e 45 da tarde, começando a escurecer, tenho um compromisso; um trabalho.
Dirijo até o local que me foi indicado, é um beco, praticamente fora da cidade, atrás de um posto de gasolina onde vários caminhões ficam estacionados durante a noite. O posto está aberto ainda, mas atrás dele é quase impossível perceber toda a movimentação que ali ocorre. Espero por alguns minutos, impaciente, até que surge um homem. O homem tem um sorriso sínico, que até combina com parte do meu sarcasmo. Parecemos 2 ladrões de banco mega profissionais. Quem dera.
-Meu nome é Eddie. Na verdade talvez esse nem seja meu nome, mas é assim que vai me chamar.
-Então me chame de Paulo. É assim que gosto que me chamem. - respondi a altura.
-Então, Paulo, tenho um pequeno serviço para você. A partir de agora, quero que lembre-se bem disso, você só pegará serviços comigo, neste mesmo lugar. Eu sempre o avisarei com antecedência por uma mensagem de texto neste aparelho de celular.
Ele joga um celular para mim. Até parece aqueles filmes de gangsters do Martin Scorsese.
-Entendeu?
-Perfeitamente. - somos inexpressivos.
Ele me entrega um envelope amarelo e eu vou abrindo-o como que por impulso.
-Não olhe agora. - diz ele me interrompendo. - Eu não posso saber o conteúdo desse envelope, para nossa própria segurança. Lembre-se disso também.
-Entendo.
Ele deixa o lugar, com esse ar de mistério que parece impregnar por todo aquele vasto ambiente.
Eu fico impressionado com o andar das coisas, observo cuidadosamente o envelope, coloco uma das mãos em seu interior e retiro uma folha de papel em que está escrito:
VOLTE A ESSE MESMO LUGAR À MEIA NOITE.
Fico sem entender, mas deve ser tudo parte desse plano maluco. Entro em meu carro e vou até um bar no centro da cidade. Vou tomar uma cerveja e comer um salgado frito em óleo cancerígeno e, finalmente, esperar até o horário indicado.
O horário finalmente chega. Eu estava morrendo de tédio. O beco ainda está vazio, até porque o posto já está fechado. De repente o homem que viera durante a tarde aparece novamente, dessa vez com uma caixa em suas mãos, seu sorriso sínico tornou-se um rosto sem expressão alguma, com algumas rugas que provavelmente indicam que ele já calou algumas pessoas.
-Tem coragem. - diz ele.
-Coragem? - eu realmente fiquei confuso e não consegui disfarçar isso.
-Veio a este beco, no meio do nada, sem nenhum conhecido por perto. Há apenas caminhoneiros a mais ou menos 200 metros daqui, que estão mais preocupados em violar aquelas menores de idade que se prostituem, o que quer dizer que você pode morrer sozinho.
Ele abre a caixa e saca uma arma. Um revólver de cor chumbo, numeração raspada, provavelmente calibre .38. Nem sei como pude ver tantos detalhes, o movimento que ele fez foi muito rápido.
Acho que foi aqui que comecei.
Eu respiro fundo, estou imóvel, não sei se sinto medo ou prazer. é algo realmente novo em minha vida, e eu já não suportava mais aquela minha vidinha tediosa.
-É o jeito mais engraçado de encarar a morte que eu já vi.
-Eu nem sei se você quer me matar.
-Tenho uma arma apontada para sua testa, carregada, e devo avisar que já matei algumas pessoas. - isso não soou como uma novidade.
Eu não sei direito de que lugar eu reuni esta coragem, ou deveria dizer prepotência, mas eu segurei o cano da arma com minha mão esquerda e olhei bem nos olhos daquele carrasco maldito.
-Se quiser atirar, atire agora, mas tenho certeza que você não tem motivos para isso. - eu sou um pedaço de mármore falante.
-Você é esperto.
Ele guarda a arma na caixa, entrega a caixa a mim.
-Você vai precisar. Nem sempre seu ego poderá lhe salvar. Até mais.
Ele foi embora, me deixando uma arma e muitas dúvidas.
A arma apontada para o topo de minha cabeça soa ameaçadora, mas quem diria, isso me parece excitante por algum momento insano que rodeia meus pensamentos.
Eu quero explodir tudo. Quero acabar com toda esta existência medíocre que chamamos de vida humana.
Mas vamos recapitular como cheguei nesse ponto lastimável de um dia de trabalho, que deveria ser comum.
Acordo as 7 da manhã, algo pouco usual, já que estou de férias de meu emprego principal. Concluo meus afazeres rotineiros pós despertar, encaro-me diante do espelho como se quisesse destruir minha face, para ver se dava jeito em minha feiura sem tamanho. a noite anterior foi um pouco estressante.
Café da manhã, almoço, café da tarde. Minha vida parece uma merda.
6 e 45 da tarde, começando a escurecer, tenho um compromisso; um trabalho.
Dirijo até o local que me foi indicado, é um beco, praticamente fora da cidade, atrás de um posto de gasolina onde vários caminhões ficam estacionados durante a noite. O posto está aberto ainda, mas atrás dele é quase impossível perceber toda a movimentação que ali ocorre. Espero por alguns minutos, impaciente, até que surge um homem. O homem tem um sorriso sínico, que até combina com parte do meu sarcasmo. Parecemos 2 ladrões de banco mega profissionais. Quem dera.
-Meu nome é Eddie. Na verdade talvez esse nem seja meu nome, mas é assim que vai me chamar.
-Então me chame de Paulo. É assim que gosto que me chamem. - respondi a altura.
-Então, Paulo, tenho um pequeno serviço para você. A partir de agora, quero que lembre-se bem disso, você só pegará serviços comigo, neste mesmo lugar. Eu sempre o avisarei com antecedência por uma mensagem de texto neste aparelho de celular.
Ele joga um celular para mim. Até parece aqueles filmes de gangsters do Martin Scorsese.
-Entendeu?
-Perfeitamente. - somos inexpressivos.
Ele me entrega um envelope amarelo e eu vou abrindo-o como que por impulso.
-Não olhe agora. - diz ele me interrompendo. - Eu não posso saber o conteúdo desse envelope, para nossa própria segurança. Lembre-se disso também.
-Entendo.
Ele deixa o lugar, com esse ar de mistério que parece impregnar por todo aquele vasto ambiente.
Eu fico impressionado com o andar das coisas, observo cuidadosamente o envelope, coloco uma das mãos em seu interior e retiro uma folha de papel em que está escrito:
VOLTE A ESSE MESMO LUGAR À MEIA NOITE.
Fico sem entender, mas deve ser tudo parte desse plano maluco. Entro em meu carro e vou até um bar no centro da cidade. Vou tomar uma cerveja e comer um salgado frito em óleo cancerígeno e, finalmente, esperar até o horário indicado.
O horário finalmente chega. Eu estava morrendo de tédio. O beco ainda está vazio, até porque o posto já está fechado. De repente o homem que viera durante a tarde aparece novamente, dessa vez com uma caixa em suas mãos, seu sorriso sínico tornou-se um rosto sem expressão alguma, com algumas rugas que provavelmente indicam que ele já calou algumas pessoas.
-Tem coragem. - diz ele.
-Coragem? - eu realmente fiquei confuso e não consegui disfarçar isso.
-Veio a este beco, no meio do nada, sem nenhum conhecido por perto. Há apenas caminhoneiros a mais ou menos 200 metros daqui, que estão mais preocupados em violar aquelas menores de idade que se prostituem, o que quer dizer que você pode morrer sozinho.
Ele abre a caixa e saca uma arma. Um revólver de cor chumbo, numeração raspada, provavelmente calibre .38. Nem sei como pude ver tantos detalhes, o movimento que ele fez foi muito rápido.
Acho que foi aqui que comecei.
Eu respiro fundo, estou imóvel, não sei se sinto medo ou prazer. é algo realmente novo em minha vida, e eu já não suportava mais aquela minha vidinha tediosa.
-É o jeito mais engraçado de encarar a morte que eu já vi.
-Eu nem sei se você quer me matar.
-Tenho uma arma apontada para sua testa, carregada, e devo avisar que já matei algumas pessoas. - isso não soou como uma novidade.
Eu não sei direito de que lugar eu reuni esta coragem, ou deveria dizer prepotência, mas eu segurei o cano da arma com minha mão esquerda e olhei bem nos olhos daquele carrasco maldito.
-Se quiser atirar, atire agora, mas tenho certeza que você não tem motivos para isso. - eu sou um pedaço de mármore falante.
-Você é esperto.
Ele guarda a arma na caixa, entrega a caixa a mim.
-Você vai precisar. Nem sempre seu ego poderá lhe salvar. Até mais.
Ele foi embora, me deixando uma arma e muitas dúvidas.
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
9. Semana do Saco Cheio, Parte 5.
Susto.
Meu celular começa a tocar e me acorda. Deve ser a milésima vez que ocorre apenas nesta semana de míseros sete dias.
-Alô? - se for engano eu rastrearei e infernizarei a pessoa que me acordou.
Era a Ana. Vamos sair. Uma banda tocará em um pequeno bar, ela quer ver, a música parece me agradar e, afinal de contas, estarei com ela, então o resto não tem importância alguma.
Essa semana foi bem estressante, mereço uma folga, um descanso de minha nova vida.
Nova vida. Isso soa tão plausível.
Estou com preguiça de preparar um café nesta manhã. Eu passei a semana toda comendo fora de casa que nem sinto mais vontade de cozinhar, comer um simples pão com margarina e fazer café. Minha rotina mudou.
Após perceber que não valeria a pena sair de casa e ir até a padaria mais próxima para tomar um café, resolvi ferver a água e fazer meu próprio café.
Eu amo o café que faço.
A calmaria domina meu dia, eu apenas assisti um filme, comi, cochilei, esperei até o horário de encontrar Ana.
Nós marcamos de nos encontrar no tal bar, eu não sei onde fica a casa dela, muito menos no que ela trabalha. A única coisa que sei é que eu estou completamente atraído por ela.
Meu carro está impecável. Voltou da oficina melhor do que estava quando novo. Hoje eu não me atrasarei.
Eu gosto de carros espaçosos, porque proporcionam um conforto maior, e a relação homem versus máquina também deve ser intensa. Eu amo coisas intensas. O único problema desse magnífico carro é achar uma vaga para estacionar. As malditas vagas são, em sua maioria, projetadas para carros pequenos, ou como gosto de chamar, carros de mulher, afinal, que homem se orgulha de dirigir um compacto?
Tudo bem, o momento preconceito acabou.
Encontrei uma vaga não muito longe do bar, o que é um grande feito, porque quero impressionar a garota.
Caminhei até o bar, a banda estava terminando de montar seus equipamento para começar o pequeno show. Procurei por Ana, mas não consegui vê-la no bar.
Peguei uma cerveja, um copo apenas, sentei-me numa mesa vazia.
Durante a afinação de cada uma das guitarras, eu olhava para os lados e procurava pela minha musa inspiradora, mas ela não estava por ali.
Um dos guitarristas pegou um dos microfones.
-Boa noite. Nós somos a banda Hustlers & Outsiders, e essa é nossa primeira aparição em público.
As guitarras soaram um forte acorde após a marcação da bateria, e assim uma música agitada e forte tinha início. Era a primeira aparição deles, mas a banda parecia que existia a muito tempo, pois a sincronia estava perfeita.
Um microfone estava colocado num pedestal, entre o guitarrista e o baixista, mas não havia ninguém para cantar, até que alguém surge por detrás da banda, toma o microfone em suas mãos e começa a cantar da forma mais maravilhosa que eu já havia presenciado em toda a minha vida.
Ana, além de misteriosa, sabe o que atrai um homem.
Ela estava perfeita, em um vestido de tom pastel e o cabelo levemente bagunçado devido a sua empolgação durante as músicas. Ana era uma deusa da música perturbadora.
Minha mente delirou, entre uma canção e outra. Entre uma cerveja e outra. Preciso tomar cuidado, senão não conseguirei dirigir.
O show foi lindo, eu não esperava tanto. Eu não esperava ela. Não assim.
O som acabou, eu me aproximei.
-Ana...
Ela se virou de forma brusca.
-Alex! - novo dia, novo nome.
-...você foi demais! Na verdade, toda a banda. Estou impressionado. - eu sorria involuntariamente.
-Que bem que gostou, poque é um dia especial! Pela primeira vez minhas canções foram tocadas para alguém que não é da banda. - ela estava realizada, completamente.
-Não posso esperar pela segunda aparição!
Ela apenas me beijou e em seguida me segurou por alguns segundos em um abraço. Estou conhecendo um outro lado dela.
-Bem, Alex, deixe-me apresentá-lo aos Outsiders! - que sorriso lindo ela tem. Vou tentar prestar atenção no que ela fala.
-Sim! Isso seria ótimo! - saia do transe... Saia!
-Os guitarristas Marcelo e Chris. No baixo Pedro e na bateria o mais anti-social, Maicon. Estes são os loucos que toparam fazer um som comigo! - era tudo incrível.
-É um prazer galera!
-Vamos tomar uma cerveja e comemorar?
-Bom... - estou com medo de estar um pouco alto. - Pode ser Ana. - não sei se eu deveria, mas eu quero.
Conheci melhor a galera da banda, fiquei realmente alto, rachamos a conta.
-Vamos para onde agora? - ela perguntou.
-É, eu não sei. - eu não sabia o que responder, eu estou um pouco bêbado demais.
-Seu carro saiu da oficina?
-Sim.
-Então vamos para sua casa, amanhã eu posso pegar um taxi.
-É... Claro! Ótima ideia! - é sério isso?
Por mais que isso parecesse ser algo natural de acontecer, eu estava perplexo! Essa garota maravilhosa de possível nome Ana, está ficando comigo e quer ir até a minha casa! Estou realizado. E isso sem falar no fato de ela ter uma banda de rock que é entorpecente. Perfeito.
-Esse é seu carro?
-É, eu acho que sim! - dou um pequeno sorriso.
-Nossa! Eu sempre quis um desse, mas não sei se conseguiria dirigir um carro tão grande! Mas odeio carros compactos. - meu preconceito foi ao chão.
-Eu costumava achar que compactos eram carros de mulher. - não pude segurar o riso.
-Cuidado, vai que descobre que sou homem quando chegarmos a sua casa! - não pudemos segurar o riso.
-Eu juro que se existisse a mínima probabilidade disso acontecer, nós nem teríamos trocado uma palavra sequer. - eu falava mole.
-Vamos descobrir então!
Partimos para a minha casa.
Estacionei em minha garagem, saí rapidamente do carro e abri a porta dela para me assemelhar a um cavalheiro agradando sua rainha. Ela riu muito disso. Espero que ela esteja no mesmo grau que eu, caso contrário estarei fazendo papel de palhaço.
-Essa é minha casa, Ana. Espero que não ache ela ruim! É a única que tenho! - eu queria ser bem humorado.
-É uma merda.
-Mas eu nem abri a porta!
-Mas é uma merda.
-Hey!
-Uma merda você não conseguir colocar a chave no trinco! Está frio aqui! - maldita! Quase me enganou.
-Eu nem sei como eu dirigi! Mereço um desconto!
-Te perdoo quando estivermos lá dentro!
Eu finalmente abri a porta e pudemos entrar.
Ana começou a olhar para todos os lados da casa, aparentemente para reconhecer o ambiente.
Ela me beijou na boca, mas dessa vez de forma mais ardente, sensual, ameaçando levantar seu lindo vestido em alguns momentos, quando me jogou em cima do sofá e começou a se insinuar para mim. Ela arrancou minha camisa, meus sapatos, meias, cinto, calça, me deixou apenas com a roupa de baixo. Ela finalmente retirou seu vestido, veio me beijar novamente.
Nossos rostos se aproximaram, assim como nossos corpos. Nessa noite nós transamos.
Meu celular começa a tocar e me acorda. Deve ser a milésima vez que ocorre apenas nesta semana de míseros sete dias.
-Alô? - se for engano eu rastrearei e infernizarei a pessoa que me acordou.
Era a Ana. Vamos sair. Uma banda tocará em um pequeno bar, ela quer ver, a música parece me agradar e, afinal de contas, estarei com ela, então o resto não tem importância alguma.
Essa semana foi bem estressante, mereço uma folga, um descanso de minha nova vida.
Nova vida. Isso soa tão plausível.
Estou com preguiça de preparar um café nesta manhã. Eu passei a semana toda comendo fora de casa que nem sinto mais vontade de cozinhar, comer um simples pão com margarina e fazer café. Minha rotina mudou.
Após perceber que não valeria a pena sair de casa e ir até a padaria mais próxima para tomar um café, resolvi ferver a água e fazer meu próprio café.
Eu amo o café que faço.
A calmaria domina meu dia, eu apenas assisti um filme, comi, cochilei, esperei até o horário de encontrar Ana.
Nós marcamos de nos encontrar no tal bar, eu não sei onde fica a casa dela, muito menos no que ela trabalha. A única coisa que sei é que eu estou completamente atraído por ela.
Meu carro está impecável. Voltou da oficina melhor do que estava quando novo. Hoje eu não me atrasarei.
Eu gosto de carros espaçosos, porque proporcionam um conforto maior, e a relação homem versus máquina também deve ser intensa. Eu amo coisas intensas. O único problema desse magnífico carro é achar uma vaga para estacionar. As malditas vagas são, em sua maioria, projetadas para carros pequenos, ou como gosto de chamar, carros de mulher, afinal, que homem se orgulha de dirigir um compacto?
Tudo bem, o momento preconceito acabou.
Encontrei uma vaga não muito longe do bar, o que é um grande feito, porque quero impressionar a garota.
Caminhei até o bar, a banda estava terminando de montar seus equipamento para começar o pequeno show. Procurei por Ana, mas não consegui vê-la no bar.
Peguei uma cerveja, um copo apenas, sentei-me numa mesa vazia.
Durante a afinação de cada uma das guitarras, eu olhava para os lados e procurava pela minha musa inspiradora, mas ela não estava por ali.
Um dos guitarristas pegou um dos microfones.
-Boa noite. Nós somos a banda Hustlers & Outsiders, e essa é nossa primeira aparição em público.
As guitarras soaram um forte acorde após a marcação da bateria, e assim uma música agitada e forte tinha início. Era a primeira aparição deles, mas a banda parecia que existia a muito tempo, pois a sincronia estava perfeita.
Um microfone estava colocado num pedestal, entre o guitarrista e o baixista, mas não havia ninguém para cantar, até que alguém surge por detrás da banda, toma o microfone em suas mãos e começa a cantar da forma mais maravilhosa que eu já havia presenciado em toda a minha vida.
Ana, além de misteriosa, sabe o que atrai um homem.
Ela estava perfeita, em um vestido de tom pastel e o cabelo levemente bagunçado devido a sua empolgação durante as músicas. Ana era uma deusa da música perturbadora.
Minha mente delirou, entre uma canção e outra. Entre uma cerveja e outra. Preciso tomar cuidado, senão não conseguirei dirigir.
O show foi lindo, eu não esperava tanto. Eu não esperava ela. Não assim.
O som acabou, eu me aproximei.
-Ana...
Ela se virou de forma brusca.
-Alex! - novo dia, novo nome.
-...você foi demais! Na verdade, toda a banda. Estou impressionado. - eu sorria involuntariamente.
-Que bem que gostou, poque é um dia especial! Pela primeira vez minhas canções foram tocadas para alguém que não é da banda. - ela estava realizada, completamente.
-Não posso esperar pela segunda aparição!
Ela apenas me beijou e em seguida me segurou por alguns segundos em um abraço. Estou conhecendo um outro lado dela.
-Bem, Alex, deixe-me apresentá-lo aos Outsiders! - que sorriso lindo ela tem. Vou tentar prestar atenção no que ela fala.
-Sim! Isso seria ótimo! - saia do transe... Saia!
-Os guitarristas Marcelo e Chris. No baixo Pedro e na bateria o mais anti-social, Maicon. Estes são os loucos que toparam fazer um som comigo! - era tudo incrível.
-É um prazer galera!
-Vamos tomar uma cerveja e comemorar?
-Bom... - estou com medo de estar um pouco alto. - Pode ser Ana. - não sei se eu deveria, mas eu quero.
Conheci melhor a galera da banda, fiquei realmente alto, rachamos a conta.
-Vamos para onde agora? - ela perguntou.
-É, eu não sei. - eu não sabia o que responder, eu estou um pouco bêbado demais.
-Seu carro saiu da oficina?
-Sim.
-Então vamos para sua casa, amanhã eu posso pegar um taxi.
-É... Claro! Ótima ideia! - é sério isso?
Por mais que isso parecesse ser algo natural de acontecer, eu estava perplexo! Essa garota maravilhosa de possível nome Ana, está ficando comigo e quer ir até a minha casa! Estou realizado. E isso sem falar no fato de ela ter uma banda de rock que é entorpecente. Perfeito.
-Esse é seu carro?
-É, eu acho que sim! - dou um pequeno sorriso.
-Nossa! Eu sempre quis um desse, mas não sei se conseguiria dirigir um carro tão grande! Mas odeio carros compactos. - meu preconceito foi ao chão.
-Eu costumava achar que compactos eram carros de mulher. - não pude segurar o riso.
-Cuidado, vai que descobre que sou homem quando chegarmos a sua casa! - não pudemos segurar o riso.
-Eu juro que se existisse a mínima probabilidade disso acontecer, nós nem teríamos trocado uma palavra sequer. - eu falava mole.
-Vamos descobrir então!
Partimos para a minha casa.
Estacionei em minha garagem, saí rapidamente do carro e abri a porta dela para me assemelhar a um cavalheiro agradando sua rainha. Ela riu muito disso. Espero que ela esteja no mesmo grau que eu, caso contrário estarei fazendo papel de palhaço.
-Essa é minha casa, Ana. Espero que não ache ela ruim! É a única que tenho! - eu queria ser bem humorado.
-É uma merda.
-Mas eu nem abri a porta!
-Mas é uma merda.
-Hey!
-Uma merda você não conseguir colocar a chave no trinco! Está frio aqui! - maldita! Quase me enganou.
-Eu nem sei como eu dirigi! Mereço um desconto!
-Te perdoo quando estivermos lá dentro!
Eu finalmente abri a porta e pudemos entrar.
Ana começou a olhar para todos os lados da casa, aparentemente para reconhecer o ambiente.
Ela me beijou na boca, mas dessa vez de forma mais ardente, sensual, ameaçando levantar seu lindo vestido em alguns momentos, quando me jogou em cima do sofá e começou a se insinuar para mim. Ela arrancou minha camisa, meus sapatos, meias, cinto, calça, me deixou apenas com a roupa de baixo. Ela finalmente retirou seu vestido, veio me beijar novamente.
Nossos rostos se aproximaram, assim como nossos corpos. Nessa noite nós transamos.
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