quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

9. Semana do Saco Cheio, Parte 5.

Susto.

Meu celular começa a tocar e me acorda. Deve ser a milésima vez que ocorre apenas nesta semana de míseros sete dias.

-Alô? - se for engano eu rastrearei e infernizarei a pessoa que me acordou.

Era a Ana. Vamos sair. Uma banda tocará em um pequeno bar, ela quer ver, a música parece me agradar e, afinal de contas, estarei com ela, então o resto não tem importância alguma.

Essa semana foi bem estressante, mereço uma folga, um descanso de minha nova vida.

Nova vida. Isso soa tão plausível.

Estou com preguiça de preparar um café nesta manhã. Eu passei a semana toda comendo fora de casa que nem sinto mais vontade de cozinhar, comer um simples pão com margarina e fazer café. Minha rotina mudou.

Após perceber que não valeria a pena sair de casa e ir até a padaria mais próxima para tomar um café, resolvi ferver a água e fazer meu próprio café.

Eu amo o café que faço.

A calmaria domina meu dia, eu apenas assisti um filme, comi, cochilei, esperei até o horário de encontrar Ana.

Nós marcamos de nos encontrar no tal bar, eu não sei onde fica a casa dela, muito menos no que ela trabalha. A única coisa que sei é que eu estou completamente atraído por ela.

Meu carro está impecável. Voltou da oficina melhor do que estava quando novo. Hoje eu não me atrasarei.

Eu gosto de carros espaçosos, porque proporcionam um conforto maior, e a relação homem versus máquina também deve ser intensa. Eu amo coisas intensas. O único problema desse magnífico carro é achar uma vaga para estacionar. As malditas vagas são, em sua maioria, projetadas para carros pequenos, ou como gosto de chamar, carros de mulher, afinal, que homem se orgulha de dirigir um compacto?

Tudo bem, o momento preconceito acabou.

Encontrei uma vaga não muito longe do bar, o que é um grande feito, porque quero impressionar a garota.

Caminhei até o bar, a banda estava terminando de montar seus equipamento para começar o pequeno show. Procurei por Ana, mas não consegui vê-la no bar.

Peguei uma cerveja, um copo apenas, sentei-me numa mesa vazia.

Durante a afinação de cada uma das guitarras, eu olhava para os lados e procurava pela minha musa inspiradora, mas ela não estava por ali.

Um dos guitarristas pegou um dos microfones.

-Boa noite. Nós somos a banda Hustlers & Outsiders, e essa é nossa primeira aparição em público.

As guitarras soaram um forte acorde após a marcação da bateria, e assim uma música agitada e forte tinha início. Era a primeira aparição deles, mas a banda parecia que existia a muito tempo, pois a sincronia estava perfeita.

Um microfone estava colocado num pedestal, entre o guitarrista e o baixista, mas não havia ninguém para cantar, até que alguém surge por detrás da banda, toma o microfone em suas mãos e começa a cantar da forma mais maravilhosa que eu já havia presenciado em toda a minha vida.

Ana, além de misteriosa, sabe o que atrai um homem.

Ela estava perfeita, em um vestido de tom pastel e o cabelo levemente bagunçado devido a sua empolgação durante as músicas. Ana era uma deusa da música perturbadora.

Minha mente delirou, entre uma canção e outra. Entre uma cerveja e outra. Preciso tomar cuidado, senão não conseguirei dirigir.

O show foi lindo, eu não esperava tanto. Eu não esperava ela. Não assim.

O som acabou, eu me aproximei.

-Ana...

Ela se virou de forma brusca.

-Alex! - novo dia, novo nome.
-...você foi demais! Na verdade, toda a banda. Estou impressionado. - eu sorria involuntariamente.
-Que bem que gostou, poque é um dia especial! Pela primeira vez minhas canções foram tocadas para alguém que não é da banda. - ela estava realizada, completamente.
-Não posso esperar pela segunda aparição!

Ela apenas me beijou e em seguida me segurou por alguns segundos em um abraço. Estou conhecendo um outro lado dela.

-Bem, Alex, deixe-me apresentá-lo aos Outsiders! - que sorriso lindo ela tem. Vou tentar prestar atenção no que ela fala.
-Sim! Isso seria ótimo! - saia do transe... Saia!
-Os guitarristas Marcelo e Chris. No baixo Pedro e na bateria o mais anti-social, Maicon. Estes são os loucos que toparam fazer um som comigo! - era tudo incrível.
-É um prazer galera!
-Vamos tomar uma cerveja e comemorar?
-Bom... - estou com medo de estar um pouco alto. - Pode ser Ana. - não sei se eu deveria, mas eu quero.

Conheci melhor a galera da banda, fiquei realmente alto, rachamos a conta.

-Vamos para onde agora? - ela perguntou.
-É, eu não sei. - eu não sabia o que responder, eu estou um pouco bêbado demais.
-Seu carro saiu da oficina?
-Sim.
-Então vamos para sua casa, amanhã eu posso pegar um taxi.
-É... Claro! Ótima ideia! - é sério isso?

Por mais que isso parecesse ser algo natural de acontecer, eu estava perplexo! Essa garota maravilhosa de possível nome Ana, está ficando comigo e quer ir até a minha casa! Estou realizado. E isso sem falar no fato de ela ter uma banda de rock que é entorpecente. Perfeito.

-Esse é seu carro?
-É, eu acho que sim! - dou um pequeno sorriso.
-Nossa! Eu sempre quis um desse, mas não sei se conseguiria dirigir um carro tão grande! Mas odeio carros compactos. - meu preconceito foi ao chão.
-Eu costumava achar que compactos eram carros de mulher. - não pude segurar o riso.
-Cuidado, vai que descobre que sou homem quando chegarmos a sua casa! - não pudemos segurar o riso.
-Eu juro que se existisse a mínima probabilidade disso acontecer, nós nem teríamos trocado uma palavra sequer. - eu falava mole.
-Vamos descobrir então!

Partimos para a minha casa.

Estacionei em minha garagem, saí rapidamente do carro e abri a porta dela para me assemelhar a um cavalheiro agradando sua rainha. Ela riu muito disso. Espero que ela esteja no mesmo grau que eu, caso contrário estarei fazendo papel de palhaço.

-Essa é minha casa, Ana. Espero que não ache ela ruim! É a única que tenho! - eu queria ser bem humorado.
-É uma merda.
-Mas eu nem abri a porta!
-Mas é uma merda.
-Hey!
-Uma merda você não conseguir colocar a chave no trinco! Está frio aqui! - maldita! Quase me enganou.
-Eu nem sei como eu dirigi! Mereço um desconto!
-Te perdoo quando estivermos lá dentro!

Eu finalmente abri a porta e pudemos entrar.

Ana começou a olhar para todos os lados da casa, aparentemente para reconhecer o ambiente.

Ela me beijou na boca, mas dessa vez de forma mais ardente, sensual, ameaçando levantar seu lindo vestido em alguns momentos, quando me jogou em cima do sofá e começou a se insinuar para mim. Ela arrancou minha camisa, meus sapatos, meias, cinto, calça, me deixou apenas com a roupa de baixo. Ela finalmente retirou seu vestido, veio me beijar novamente.

Nossos rostos se aproximaram, assim como nossos corpos. Nessa noite nós transamos.

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