Mr Jack. Esse é o nome do restaurante em que nos encontramos pela primeira vez. Ainda tem o mesmo cheiro de flores tropicais exalando por todo ambiente. Eu espero que isso ajude a reviver velhos sentimentos. Meus fantasmas favoritos.
Quase sete e meia. Ela sempre costumou ser pontual.
Eis que a vejo atravessando o restaurante e indo em minha direção. Está tão linda quanto eu me lembrava. Se ela tiver uma arma pode me matar agora. Estou satisfeito. Não sei o quanto gosto desses fantasmas, mas a chance de descobrir me dá calafrios que parecem nunca passar. Estou tendo esses calafrios desde que liguei para ela ontem. Mas agora tudo cessou.
- Pontual como sempre. - dei um sorriso receptivo. Eu não estou aqui para perder tempo.
- Você sabe que odeio me atrasar e igualmente odeio esperar, então... - um momento, por favor.
- E como poderia me esquecer disso?
- Você esquece de muitas coisas. - ela, inflexível. Me lembrei o porquê a amei tanto.
- Mas lembrei do seu número, e agora estamos aqui. - olhei no fundo daqueles olhos azuis como o mar. eles exalavam toda a frieza desta mulher complexa como o frio.
- E isso é sorte ou azar? - ela esboçou algo, mas não identifiquei.
- Descubra.
- E se eu não quiser descobrir?
- Então eu posso vendar seus olhos e te levar para um lugar que te surpreenderia, simplesmente para atiçar sua curiosidade.
- Continue... - that's a bingo!
- Nessa cidade, quando olha para o céu, só há escuridão e a única luz que nos ilumina é artificial. Mas eu posso te mostrar um lugar em que a paz domina, as estrelas brilham e a lua nos ilumina. Basta dizer que está interessada o suficiente. - eu nunca disse um lixo tão clichê para alguém.
- Espera realmente que eu caia nessa? - que gozada.
- Não. - inflexível.
- Aonde quer chegar? Me liga do nada, me chama pra jantar, começa a falar que vai me levar num lugar lindo... - ela suspirou com força, olhou para o chão, olhou bem no fundo de meus olhos. - Você acha que esse intervalo de um ano sem nos vermos não foram nada? - todos olharam para ela. é isso que acontece quando se eleva o tom de voz.
- Não quero reviver o que passamos, Flávia. Eu quero realmente entender o porquê você sumiu.
- Porque me cansei. - inflexível.
- Mentira. - inflexível.
- Como sabe? - curiosa. Tão curiosa que seus olhos se arregalaram.
- Te conheço bem demais. Você mexeu sua mão esquerda quando falou. Você sempre mexe ela quando mente. - inflexível.
- Eu não deveria ter vindo te encontrar. - após dizer se levantou e deu as costas para mim. Me levantei também.
- Então porque veio?
- Espero que as estrelas valham a pena. - jackpot.
quinta-feira, 18 de junho de 2015
segunda-feira, 15 de junho de 2015
21. O Pior Dia Da Minha Vida.
Eu queria acordar e dizer "eu sou a pessoa mais feliz do mundo", ou quem sabe apenas "eu sou feliz", ou pior, eu estaria bem dizendo "tenho momentos felizes". Que inocência. Nem minha mente me deixa em paz, imagine as outras pessoas. Se cada um entendesse o que se passa dentro desta merda que chamo de cérebro - o órgão chefe -, na boa, se entendessem... eu não estou surtando à toa.
Órgão chefe fere meu egocentrismo.
Tudo aquilo que me ataca eu reajo. Sou tão reativo quanto nitroglicerina. Mas Ana conseguiu ser tão reativa quanto seu signo de escorpião pode ser na TPM. Escorpião soa mais como mau presságio, mas o veneno dela não me mata, apenas vicia.
Eu tenho comido o suficiente para ter engordado pelo menso quatro quilos neste último mês, mas eu continuo com setenta quilos, até bem distribuídos para meus um metro e oitenta. Há seis meses eu pesava setenta e cinco quilos. Comecei a emagrecer muito rápido após meu batismo de fogo. Deve ser stress. Eu emagreci e fiquei com sessenta e seis quilos. Entrei em choque. Via meus ossos. Procurei um nutricionista, era uma mulher, ela me recomendou uma dieta rica em fibras, carboidratos e proteínas. Eu deveria ganhar peso com saúde, não gorduras. Mas como dispensar um x-bacon?
Eu sentia raiva. Quanto mais raiva, mais fome. Quanto mais fome, mais raiva. Quanto mais raiva, mais fome e mais raiva, mais eu emagrecia.
Tem gente que ia adorar isso. Sério.
Eu não sei o que Ana faz para continuar com aquele corpo perfeito, mas acho que ela se estressa também. Eu não sei o que ela faz além de ter uma banda, mas pelo peso dela é vendedora de alguma loja de roupas, dessas grandes franquias que todos sabem o nome, toda a cidade tem uma. Ela deve vender calças, e deve ter que lidar com compradores tão chatos quanto eu. Só assim para se manter linda sempre e comer pizza todo fim de semana. Ou ela faz academia, é rica, não trabalha, mas se estressa com o jardineiro que plantou tulipas no verão.
Stress parece resposta. Mas é dúvida. Garanto.
Ela quer meu nome. Eu nem sei se sei meu nome.
Para falar a verdade, eu passei tanto tempo fingindo que eu nem sei quem sou. Ou aprendi a fingir? Descobriremos.
Desde que Ana saiu pela porta da frente eu não saio de casa, não como, não durmo, não me banho. E isso foi há dois dias. Enlouqueci. Acendo cigarros freneticamente, jogo bitucas pelo chão. Eu que terei que limpar, então foda-se. Se eu não ligar, ela não liga. Então foda-se. Se ela ligar, o que digo? Foda-se.
É fácil resolver isso tudo. Muito fácil.
Você acha que sua vida é uma droga? Ótimo. A partir deste ponto você se tornou sensato. E quem se torna sensato pode ver o mundo de outra perspectiva. Ou se enganar e continuar sendo trouxa. Mas pelo menos alguns te acharão sensato o suficiente. A vida, mesmo quando uma droga, costuma ser ironicamente consoladora.
Se eu fosse destilar todo meu ódio faltariam alambiques neste pedaço de terra em que sobrevivo.
Aliás, você vive ou sobrevive? É uma pergunta válida.
Eu me levanto da poltrona do envelhecimento e quero encontrar algo capaz de estragar...
Uma buzina.
Um sedam preto.
Minha mente começou a trabalhar numa velocidade que eu nunca tinha experimentado antes. Conseguia pensar no que poderia estar acontecendo na vida de um norte coreano, com sua expectativa não muito agradável em relação ao futuro. Conseguia pensar em tudo o que há de certo e errado na minha vida. Conseguia até mesmo entender toda a dinâmica social e usar isso como artifício para melhorar minha posição. Sem matar gente, nesta última. Tudo isso em um segundo. Saio à porta e quem vejo não me impressiona. A ponta solta. Como pude ser tão negligente?
- Dave, entre, por favor! - não sei reagir de outra forma.
- Cara, você sabe como sumir.
- Às vezes sou um pouco negligente... - admitir dói.
- Tão negligente que está se esquecendo dos amigos novamente. - ele está estranhamente normal.
- Meu trabalho atual consome todo meu tempo.
- Deveria conseguir um emprego melhor. Acho que têm três ou quatro meses que não tomamos uma cerveja. E a garota, continua com ela?
- Eu e Ana brigamos. Ontem. - ele esboçou um sorriso. Maldito, eu vi isso.
- Então cheguei numa boa hora?
- Não sei se eu vejo desta forma. - inflexível.
- Estou aqui para te consolar, meu amigo! - ele está sendo cínico. Eu sei. - Não é pra isso que servem os amigos?
Eu estava centrado o suficiente para dar uma resposta sensacional para Dave, mas hoje eu não quero esclarecer as merdas da minha vida, muito menos pensar no tamanho da culpa que tenho por isso ter acontecido. eu nem me lembro o porquê eu e Dave paramos de sair. Ele sempre passava aqui e íamos beber. Estou de saco cheio de tanta cobrança. Ana me cobra, Armando me cobra, Dave me cobra.
- Dave, realmente não é uma boa hora. - inflexível.
- Se agora não é uma boa hora, então ela provavelmente não existe. - agora sim ele está conversando como gente.
- Você pode ir embora. eu realmente só quero ficar sozinho.
- Claro. Você sabe muito bem o que está fazendo, meu amigo. Só não venha querer minha ajuda depois. - quanto desdem, velho amigo.
- Eu não preciso de ajuda, mas se continuar me insultando assim talvez não possa me insultar amanhã novamente. - inflexível.
- Ou vai fazer o quê? - desafiou...
- Quer descobrir agora ou em alguns minutos? - desafio aceito.
- Você enlouqueceu?
- Sim. - inflexível.
- Eu vou embora. você sabe onde moro, como me encontrar... ou simplesmente esqueça que é meu amigo.
Eu não reagi. Vi meu melhor amigo indo embora. A única pessoa que me ajudou quando Flávia destruiu minha vida. Flávia... o que será que ela deve estar fazendo agora? Deve ter um ano desde que nos falamos pela última vez. Nunca mais a vi, e isso foi bom, no começo. Ajuda a esquecer.
Eu conseguia pensar em soluções para a guerra no oriente médio. Conseguia dissertar contra o comunismo, capitalismo e todos os outros ismos que dividem a humanidade. Eu conseguia até mesmo dar um jeito na minha vida, dentro da minha cabeça, mas eu consigo ser mais teimoso do que eficaz.
O telefone chama pela primeira vez.
O relógio tiquetaqueia. Eu respiro fundo. A velha torneira pinga. Todos esses sons ecoam pela casa silenciosa.
Ao segundo toque alguém atende.
- A essa hora da noite é bom que seja importante. - ela atendeu. Acho que fui tomado por um tipo estranho de euforia.
- Depende o que considera importante.
- Não acredito que ligou para mim.
- Nem eu. - flexível.
Órgão chefe fere meu egocentrismo.
Tudo aquilo que me ataca eu reajo. Sou tão reativo quanto nitroglicerina. Mas Ana conseguiu ser tão reativa quanto seu signo de escorpião pode ser na TPM. Escorpião soa mais como mau presságio, mas o veneno dela não me mata, apenas vicia.
Eu tenho comido o suficiente para ter engordado pelo menso quatro quilos neste último mês, mas eu continuo com setenta quilos, até bem distribuídos para meus um metro e oitenta. Há seis meses eu pesava setenta e cinco quilos. Comecei a emagrecer muito rápido após meu batismo de fogo. Deve ser stress. Eu emagreci e fiquei com sessenta e seis quilos. Entrei em choque. Via meus ossos. Procurei um nutricionista, era uma mulher, ela me recomendou uma dieta rica em fibras, carboidratos e proteínas. Eu deveria ganhar peso com saúde, não gorduras. Mas como dispensar um x-bacon?
Eu sentia raiva. Quanto mais raiva, mais fome. Quanto mais fome, mais raiva. Quanto mais raiva, mais fome e mais raiva, mais eu emagrecia.
Tem gente que ia adorar isso. Sério.
Eu não sei o que Ana faz para continuar com aquele corpo perfeito, mas acho que ela se estressa também. Eu não sei o que ela faz além de ter uma banda, mas pelo peso dela é vendedora de alguma loja de roupas, dessas grandes franquias que todos sabem o nome, toda a cidade tem uma. Ela deve vender calças, e deve ter que lidar com compradores tão chatos quanto eu. Só assim para se manter linda sempre e comer pizza todo fim de semana. Ou ela faz academia, é rica, não trabalha, mas se estressa com o jardineiro que plantou tulipas no verão.
Stress parece resposta. Mas é dúvida. Garanto.
Ela quer meu nome. Eu nem sei se sei meu nome.
Para falar a verdade, eu passei tanto tempo fingindo que eu nem sei quem sou. Ou aprendi a fingir? Descobriremos.
Desde que Ana saiu pela porta da frente eu não saio de casa, não como, não durmo, não me banho. E isso foi há dois dias. Enlouqueci. Acendo cigarros freneticamente, jogo bitucas pelo chão. Eu que terei que limpar, então foda-se. Se eu não ligar, ela não liga. Então foda-se. Se ela ligar, o que digo? Foda-se.
É fácil resolver isso tudo. Muito fácil.
Você acha que sua vida é uma droga? Ótimo. A partir deste ponto você se tornou sensato. E quem se torna sensato pode ver o mundo de outra perspectiva. Ou se enganar e continuar sendo trouxa. Mas pelo menos alguns te acharão sensato o suficiente. A vida, mesmo quando uma droga, costuma ser ironicamente consoladora.
Se eu fosse destilar todo meu ódio faltariam alambiques neste pedaço de terra em que sobrevivo.
Aliás, você vive ou sobrevive? É uma pergunta válida.
Eu me levanto da poltrona do envelhecimento e quero encontrar algo capaz de estragar...
Uma buzina.
Um sedam preto.
Minha mente começou a trabalhar numa velocidade que eu nunca tinha experimentado antes. Conseguia pensar no que poderia estar acontecendo na vida de um norte coreano, com sua expectativa não muito agradável em relação ao futuro. Conseguia pensar em tudo o que há de certo e errado na minha vida. Conseguia até mesmo entender toda a dinâmica social e usar isso como artifício para melhorar minha posição. Sem matar gente, nesta última. Tudo isso em um segundo. Saio à porta e quem vejo não me impressiona. A ponta solta. Como pude ser tão negligente?
- Dave, entre, por favor! - não sei reagir de outra forma.
- Cara, você sabe como sumir.
- Às vezes sou um pouco negligente... - admitir dói.
- Tão negligente que está se esquecendo dos amigos novamente. - ele está estranhamente normal.
- Meu trabalho atual consome todo meu tempo.
- Deveria conseguir um emprego melhor. Acho que têm três ou quatro meses que não tomamos uma cerveja. E a garota, continua com ela?
- Eu e Ana brigamos. Ontem. - ele esboçou um sorriso. Maldito, eu vi isso.
- Então cheguei numa boa hora?
- Não sei se eu vejo desta forma. - inflexível.
- Estou aqui para te consolar, meu amigo! - ele está sendo cínico. Eu sei. - Não é pra isso que servem os amigos?
Eu estava centrado o suficiente para dar uma resposta sensacional para Dave, mas hoje eu não quero esclarecer as merdas da minha vida, muito menos pensar no tamanho da culpa que tenho por isso ter acontecido. eu nem me lembro o porquê eu e Dave paramos de sair. Ele sempre passava aqui e íamos beber. Estou de saco cheio de tanta cobrança. Ana me cobra, Armando me cobra, Dave me cobra.
- Dave, realmente não é uma boa hora. - inflexível.
- Se agora não é uma boa hora, então ela provavelmente não existe. - agora sim ele está conversando como gente.
- Você pode ir embora. eu realmente só quero ficar sozinho.
- Claro. Você sabe muito bem o que está fazendo, meu amigo. Só não venha querer minha ajuda depois. - quanto desdem, velho amigo.
- Eu não preciso de ajuda, mas se continuar me insultando assim talvez não possa me insultar amanhã novamente. - inflexível.
- Ou vai fazer o quê? - desafiou...
- Quer descobrir agora ou em alguns minutos? - desafio aceito.
- Você enlouqueceu?
- Sim. - inflexível.
- Eu vou embora. você sabe onde moro, como me encontrar... ou simplesmente esqueça que é meu amigo.
Eu não reagi. Vi meu melhor amigo indo embora. A única pessoa que me ajudou quando Flávia destruiu minha vida. Flávia... o que será que ela deve estar fazendo agora? Deve ter um ano desde que nos falamos pela última vez. Nunca mais a vi, e isso foi bom, no começo. Ajuda a esquecer.
Eu conseguia pensar em soluções para a guerra no oriente médio. Conseguia dissertar contra o comunismo, capitalismo e todos os outros ismos que dividem a humanidade. Eu conseguia até mesmo dar um jeito na minha vida, dentro da minha cabeça, mas eu consigo ser mais teimoso do que eficaz.
O telefone chama pela primeira vez.
O relógio tiquetaqueia. Eu respiro fundo. A velha torneira pinga. Todos esses sons ecoam pela casa silenciosa.
Ao segundo toque alguém atende.
- A essa hora da noite é bom que seja importante. - ela atendeu. Acho que fui tomado por um tipo estranho de euforia.
- Depende o que considera importante.
- Não acredito que ligou para mim.
- Nem eu. - flexível.
quinta-feira, 11 de junho de 2015
20. Inferno.
Ana não para de olhar para mim. Se ela quer me perguntar algo, pergunte, mas que acabe com a merda desse silêncio estrondoso. Cada segundo que passamos sentados nessa mesa, com você olhando fixamente para mim, com essa cara lavada de cinismo, enquanto tento comer minha torrada. Sério, não estou nem conseguindo sentir o sabor dela. Pare de me olhar, Ana.
Ela não parou. Deixei a torrada sobre a mesa, me levantei.
- Quer um cigarro? - pergunto da forma mais natural possível.
- Acho que vou aceitar. - seca.
- Vamos lá fora. O ar fresco é mais receptivo.
- Claro... Fumando isso faz muita diferença.
- O que há com você? - eu preciso perguntar.
- Comigo? Me desculpe... - interrompo.
- Desde que chegou hoje não para de me encarar e não esboçou um sorriso sequer. Eu posso até ser paranoico às vezes, mas hoje tenho certeza de que não. - o cigarro caiu no chão enquanto eu falava. Ela desviou o olhar para o chão. Eu olhava reto. Ela levantou a cabeça para encontrar seu olhar com o meu. ela percebeu minhas mão tremendo.
- Não estou em um bom dia. E você também não deve estar. - seca.
- Eu queria estar. De verdade. - inflexível.
- Queria? Então por que se estressa tanto? Mantém um trabalho secreto? Não me conta seu nome por medo de se envolver... - pausa para um suspiro dramático. Nesse momento eu parei de tremer e minha postura super ereta me engrandeceu. - A quem quer enganar?
- Quer que eu responda tudo? - inflexível.
- Não. - seca. - Apenas me diga se tem medo de ter algo real comigo. - ela caiu nem lágrimas.
- Não. Caso contrário não estaríamos a tanto tempo juntos. - inflexível.
- Tem certeza? - a voz dela teve a tonalidade levemente exaltada.
- A não ser que ache seis meses pouco. - inflexível.
- Não o suficiente.
- Não controlo o tempo. - inflexível.
- Mas sua vida, certamente. - seca.
- O quanto posso. - inflexível.
- Então vou embora. Tem meu número. Quando estiver pronto para viver algo real comigo, me ligue, e quem sabe eu não tenha te trocado por outro babaca que for ver minha banda tocar.
Ela saiu pela porta da sala. Escutei o barulho do portão batendo com força.
Furacões não têm nomes de mulheres à toa.
E eu? Inflexível.
Ela não parou. Deixei a torrada sobre a mesa, me levantei.
- Quer um cigarro? - pergunto da forma mais natural possível.
- Acho que vou aceitar. - seca.
- Vamos lá fora. O ar fresco é mais receptivo.
- Claro... Fumando isso faz muita diferença.
- O que há com você? - eu preciso perguntar.
- Comigo? Me desculpe... - interrompo.
- Desde que chegou hoje não para de me encarar e não esboçou um sorriso sequer. Eu posso até ser paranoico às vezes, mas hoje tenho certeza de que não. - o cigarro caiu no chão enquanto eu falava. Ela desviou o olhar para o chão. Eu olhava reto. Ela levantou a cabeça para encontrar seu olhar com o meu. ela percebeu minhas mão tremendo.
- Não estou em um bom dia. E você também não deve estar. - seca.
- Eu queria estar. De verdade. - inflexível.
- Queria? Então por que se estressa tanto? Mantém um trabalho secreto? Não me conta seu nome por medo de se envolver... - pausa para um suspiro dramático. Nesse momento eu parei de tremer e minha postura super ereta me engrandeceu. - A quem quer enganar?
- Quer que eu responda tudo? - inflexível.
- Não. - seca. - Apenas me diga se tem medo de ter algo real comigo. - ela caiu nem lágrimas.
- Não. Caso contrário não estaríamos a tanto tempo juntos. - inflexível.
- Tem certeza? - a voz dela teve a tonalidade levemente exaltada.
- A não ser que ache seis meses pouco. - inflexível.
- Não o suficiente.
- Não controlo o tempo. - inflexível.
- Mas sua vida, certamente. - seca.
- O quanto posso. - inflexível.
- Então vou embora. Tem meu número. Quando estiver pronto para viver algo real comigo, me ligue, e quem sabe eu não tenha te trocado por outro babaca que for ver minha banda tocar.
Ela saiu pela porta da sala. Escutei o barulho do portão batendo com força.
Furacões não têm nomes de mulheres à toa.
E eu? Inflexível.
quarta-feira, 10 de junho de 2015
19.
- Alan. - eu disse sem ânimo. Minha vontade é de matar esse ser medíocre. Esse desgraçado. Esse filho de uma puta.
- Você parece até bem, filho. - disse dando um riso idiota.
- Bem até demais, vovô. - me chame de neto, agora, vovô.
- Adoro seu senso de humor! - ele se aproximava e eu deixava minha postura o mais ereta possível para intimidá-lo. - Não se preocupe, eu não ando armado como você.
Meu coração parou. Mesmo que apenas por um segundo. Parou.
- Acho que preciso te chamar para entrar. - eu sorri, mesmo contra minha vontade, sorri.
- Belos modos, meu filho.
Nossos olhares trocaram faíscas instantâneas, mas isso não alterou a intensidade que o momento prometia para nossas frágeis mentes conturbadas. Eu jamais admitiria estar louco sozinho.
Alan trabalhava lentamente o fumo que colocava em seu cachimbo, e vocês não imaginam o quanto aquilo me deixava irritado, mas, como de costume, eu não esboçava nada por fora, ou apenas alguns traços de ansiedade. é um pouco complicado me manter sob controle. Não sou o mais comum caso, mas não sou um caso comum. Teste minhas particularidades.
- Você tem uma casa bela. Aconchegante. - todo mundo diz isso, para qualquer casa, idiota. - Você não mora sozinho aqui, mora? - aquele olhar.
- Mas você já sabe disso. Não é? - qual é o jogo, vovô?
- Ana é muito bela... Pena você não poder contar o que faz à ela.
- Tenho sobrevivido.
- Mas tem sofrido.
- Entretanto, estamos aqui.
Um minuto de silêncio. Alan bebe seu vinho. Eu tenho uma garrafa de whiskey na mão. Acho que ninguém percebe minha tensão agora.
- O que achou do emprego? - será ele agora sarcástico?
- Uma droga. mas o estranho é eu ter me acostumado. - fui sincero. Droga.
- Quando te vi a primeira vez eu sabia que seu estado mental era de acostumar-se.
- Então sabe ler mentes?
- Apenas a sua.
- A minha? - levantei o tom de voz. - Você não sabe nada de mim. Você é apenas um velho idiota.
- E você se estressa facilmente. - ele se mantém imóvel.
- Eu dependo de você. - minha face perde toda a expressão de ira.
- Não. Mas precisa jogar comigo.
Eu simplesmente concordei. Por mais que eu tentasse lutar contra isso, ainda sabia que estávamos a fazer suma coisa muito maior. Alan me escolheu para seu plano e, pela primeira vez em seis meses, eu me sinto à vontade para continuar com o planejado.
- Você parece até bem, filho. - disse dando um riso idiota.
- Bem até demais, vovô. - me chame de neto, agora, vovô.
- Adoro seu senso de humor! - ele se aproximava e eu deixava minha postura o mais ereta possível para intimidá-lo. - Não se preocupe, eu não ando armado como você.
Meu coração parou. Mesmo que apenas por um segundo. Parou.
- Acho que preciso te chamar para entrar. - eu sorri, mesmo contra minha vontade, sorri.
- Belos modos, meu filho.
Nossos olhares trocaram faíscas instantâneas, mas isso não alterou a intensidade que o momento prometia para nossas frágeis mentes conturbadas. Eu jamais admitiria estar louco sozinho.
Alan trabalhava lentamente o fumo que colocava em seu cachimbo, e vocês não imaginam o quanto aquilo me deixava irritado, mas, como de costume, eu não esboçava nada por fora, ou apenas alguns traços de ansiedade. é um pouco complicado me manter sob controle. Não sou o mais comum caso, mas não sou um caso comum. Teste minhas particularidades.
- Você tem uma casa bela. Aconchegante. - todo mundo diz isso, para qualquer casa, idiota. - Você não mora sozinho aqui, mora? - aquele olhar.
- Mas você já sabe disso. Não é? - qual é o jogo, vovô?
- Ana é muito bela... Pena você não poder contar o que faz à ela.
- Tenho sobrevivido.
- Mas tem sofrido.
- Entretanto, estamos aqui.
Um minuto de silêncio. Alan bebe seu vinho. Eu tenho uma garrafa de whiskey na mão. Acho que ninguém percebe minha tensão agora.
- O que achou do emprego? - será ele agora sarcástico?
- Uma droga. mas o estranho é eu ter me acostumado. - fui sincero. Droga.
- Quando te vi a primeira vez eu sabia que seu estado mental era de acostumar-se.
- Então sabe ler mentes?
- Apenas a sua.
- A minha? - levantei o tom de voz. - Você não sabe nada de mim. Você é apenas um velho idiota.
- E você se estressa facilmente. - ele se mantém imóvel.
- Eu dependo de você. - minha face perde toda a expressão de ira.
- Não. Mas precisa jogar comigo.
Eu simplesmente concordei. Por mais que eu tentasse lutar contra isso, ainda sabia que estávamos a fazer suma coisa muito maior. Alan me escolheu para seu plano e, pela primeira vez em seis meses, eu me sinto à vontade para continuar com o planejado.
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