- Alan. - eu disse sem ânimo. Minha vontade é de matar esse ser medíocre. Esse desgraçado. Esse filho de uma puta.
- Você parece até bem, filho. - disse dando um riso idiota.
- Bem até demais, vovô. - me chame de neto, agora, vovô.
- Adoro seu senso de humor! - ele se aproximava e eu deixava minha postura o mais ereta possível para intimidá-lo. - Não se preocupe, eu não ando armado como você.
Meu coração parou. Mesmo que apenas por um segundo. Parou.
- Acho que preciso te chamar para entrar. - eu sorri, mesmo contra minha vontade, sorri.
- Belos modos, meu filho.
Nossos olhares trocaram faíscas instantâneas, mas isso não alterou a intensidade que o momento prometia para nossas frágeis mentes conturbadas. Eu jamais admitiria estar louco sozinho.
Alan trabalhava lentamente o fumo que colocava em seu cachimbo, e vocês não imaginam o quanto aquilo me deixava irritado, mas, como de costume, eu não esboçava nada por fora, ou apenas alguns traços de ansiedade. é um pouco complicado me manter sob controle. Não sou o mais comum caso, mas não sou um caso comum. Teste minhas particularidades.
- Você tem uma casa bela. Aconchegante. - todo mundo diz isso, para qualquer casa, idiota. - Você não mora sozinho aqui, mora? - aquele olhar.
- Mas você já sabe disso. Não é? - qual é o jogo, vovô?
- Ana é muito bela... Pena você não poder contar o que faz à ela.
- Tenho sobrevivido.
- Mas tem sofrido.
- Entretanto, estamos aqui.
Um minuto de silêncio. Alan bebe seu vinho. Eu tenho uma garrafa de whiskey na mão. Acho que ninguém percebe minha tensão agora.
- O que achou do emprego? - será ele agora sarcástico?
- Uma droga. mas o estranho é eu ter me acostumado. - fui sincero. Droga.
- Quando te vi a primeira vez eu sabia que seu estado mental era de acostumar-se.
- Então sabe ler mentes?
- Apenas a sua.
- A minha? - levantei o tom de voz. - Você não sabe nada de mim. Você é apenas um velho idiota.
- E você se estressa facilmente. - ele se mantém imóvel.
- Eu dependo de você. - minha face perde toda a expressão de ira.
- Não. Mas precisa jogar comigo.
Eu simplesmente concordei. Por mais que eu tentasse lutar contra isso, ainda sabia que estávamos a fazer suma coisa muito maior. Alan me escolheu para seu plano e, pela primeira vez em seis meses, eu me sinto à vontade para continuar com o planejado.
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