quinta-feira, 18 de junho de 2015

22. Fantasmas.

Mr Jack. Esse é o nome do restaurante em que nos encontramos pela primeira vez. Ainda tem o mesmo cheiro de flores tropicais exalando por todo ambiente. Eu espero que isso ajude a reviver velhos sentimentos. Meus fantasmas favoritos.

Quase sete e meia. Ela sempre costumou ser pontual.

Eis que a vejo atravessando o restaurante e indo em minha direção. Está tão linda quanto eu me lembrava. Se ela tiver uma arma pode me matar agora. Estou satisfeito. Não sei o quanto gosto desses fantasmas, mas a chance de descobrir me dá calafrios que parecem nunca passar. Estou tendo esses calafrios desde que liguei para ela ontem. Mas agora tudo cessou.

- Pontual como sempre. - dei um sorriso receptivo. Eu não estou aqui para perder tempo.
- Você sabe que odeio me atrasar e igualmente odeio esperar, então... - um momento, por favor.
- E como poderia me esquecer disso?
- Você esquece de muitas coisas. - ela, inflexível. Me lembrei o porquê a amei tanto.
- Mas lembrei do seu número, e agora estamos aqui. - olhei no fundo daqueles olhos azuis como o mar. eles exalavam toda a frieza desta mulher complexa como o frio.
- E isso é sorte ou azar? - ela esboçou algo, mas não identifiquei.
- Descubra.
- E se eu não quiser descobrir?
- Então eu posso vendar seus olhos e te levar para um lugar que te surpreenderia, simplesmente para atiçar sua curiosidade.
- Continue... - that's a bingo!
- Nessa cidade, quando olha para o céu, só há escuridão e a única luz que nos ilumina é artificial. Mas eu posso te mostrar um lugar em que a paz domina, as estrelas brilham e a lua nos ilumina. Basta dizer que está interessada o suficiente. - eu nunca disse um lixo tão clichê para alguém.
- Espera realmente que eu caia nessa? - que gozada.
- Não. - inflexível.
- Aonde quer chegar? Me liga do nada, me chama pra jantar, começa a falar que vai me levar num lugar lindo... - ela suspirou com força, olhou para o chão, olhou bem no fundo de meus olhos. - Você acha que esse intervalo de um ano sem nos vermos não foram nada? - todos olharam para ela. é isso que acontece quando se eleva o tom de voz.
- Não quero reviver o que passamos, Flávia. Eu quero realmente entender o porquê você sumiu.
- Porque me cansei. - inflexível.
- Mentira. - inflexível.
- Como sabe? - curiosa. Tão curiosa que seus olhos se arregalaram.
- Te conheço bem demais. Você mexeu sua mão esquerda quando falou. Você sempre mexe ela quando mente. - inflexível.
- Eu não deveria ter vindo te encontrar. - após dizer se levantou e deu as costas para mim. Me levantei também.
- Então porque veio?
- Espero que as estrelas valham a pena. - jackpot.

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