segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

1.


Acordo no meio da noite com o gosto salgado do meu suor escorrendo em meu rosto. O ar condicionado está ligado mas parece que o quarto está em chamas de tanto calor que sinto. Vou até o banheiro, jogo água em meu rosto afim de refrescar-me um pouco, tentar dormir novamente, mas de repente me pego inquieto dentro do meu próprio eu, como um barulho irritante tirando a concentração quando você mais precisa dela, te incomodando mais e mais, até se tornar insuportável manter o mesmo curso que se dispôs.

Procuro algo para fazer, algum jogo em meu computador, alguma coisa para cozinhar, um cigarro para tentar me acalmar, mesmo sabendo que nada disso adiantaria, eu preciso mesmo é de algo que me faça sofrer uma catarse para me livrar de tudo o que me irrita por dentro ou, para não ter que sair de minha zona de conforto, tomar algum remédio ou bebida para me ajudar a dormir.

"Numa expectativa a longo prazo, todos nós estamos morrendo", foi isso que lí em algum dos meus livros, ou será que em algum filme que assisti a algum tempo atrás? Já não sei dizer exatamente, não tenho mais certeza de nada, estou tão confuso que atividades simples estão se tornando complicadas nas últimas semanas.

Já são 2 horas da manhã, eu poderia ligar a televisão para ver se está passando algum filme ou seriado interessante e assim matar um pouco do meu tempo. Eu poderia sair caminhar sem rumo a fim de cansar meu corpo para que ao chegar em casa eu dormisse facilmente sem precisar nem de remédios ou bebidas para isso.

Eu precisava fazer alguma coisa para acalmar o meu ego, ou seja lá o que for que estava dentro de mim, me atormentando nesse dia. Precisava tomar uma atitude bem rápido para que aquela dor parasse.

Olho para o relógio e o tempo parece não passar. É como se eu quisesse contar as horas até cansar, mas jamais ficaria concentrado tempo suficiente nessa atividade.

Ligo a TV e começo a passar os canais. É incrível como tem propaganda a essa hora da noite. Pessoas sorrindo e te oferecendo coisas que você nunca vai precisar. Todos felizes vivendo o sonho americano.

Desligo a TV. Não é disso que preciso agora.

Eu preciso de liberdade.

Pego minha carteira para caso eu queira comprar algo pelo caminho, meu smartphone na esperança de receber uma ligação de alguém estranho pedindo socorro, coloco o primeiro par de tênis que encontro, me recordo que pode estar frio lá fora e que estou de bermuda. Tiro os tênis para colocar uma calça. Recoloco os tênis, coloco uma camisa qualquer e pego um moletom.

Abro a porta de casa, está um tanto frio do lado de fora. Costuma ventar durante a noite em minha cidade.

Tranco a porta e começo a caminhar sem rumo, pensando no que posso fazer durante essa noite.

Um comentário:

  1. E assim caminha a humanidade, hehehehe!! Muitas dúvidas e pouquíssimas certezas são experimentos da maioria dos jovens saudáveis. Em minha profissão aprendi que quanto maior o leque de nossas dúvidas, tão quanto maior, também serão as nossas certezas. Mas é claro que precisei de muito, muito tempo pra entender isto. Pensando bem: então, foi bom!!
    O título "O Antipático" até soa "Simpático" a nós leitores que acabamos herdando de ti, uma ótima leitura.
    Parabéns!!!! HEHEHEHEHHEHEHEH!!!!!!

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