Espero que Armando e Flávia me perdoem pelo que estou fazendo, mas garanto que dentro de minha confusa cabeça isto faz tanto sentido quanto continuar fugindo com eles, com a simples diferença de ser o que eu quero fazer. Eu nunca pensei que aqueles comprimidos que roubei no hospital pudessem ser tao úteis. Desculpe não contar isso antes, mas eu não queria parecer um drogado. Agora eu sou definitivamente um criminoso que está sendo procurado por outros criminosos, então tanto faz. Meu senso de julgamento e moral mudou muito. Estou pensando ainda se tomo uma pílula dessas ou não. Flávia e Armando estão derrubados, e só coloquei duas em cada caneca de café. Esse foi o café reverso, que o invés de despertar, desmaia. Será que se eu tomar um comprimido eu desmaio? Melhor arriscar quando eu estiver em algum lugar seguro, se isso existir...
Por mais arriscado e idiota que isso pareça, irei para minha casa, pegarei meu carro e roupas limpas. Preciso encontrar Ana. Mas tenho medo de envolvê-la nisso. Preciso descobrir o que significa tudo isso que está acontecendo, afinal, Armando apareceu em minha casa todo ensanguentado e agora eu que estou sendo procurado? Tomara que exista sentido nisso tudo, ou que pelo menos, caso não haja, eu possa escapar dessa loucura. Ou será que começarei uma loucura maior para escapar disso? Não me surpreenderia.
Dei a volta no quarteirão duas vezes antes de estacionar, pois não quero ser surpreendido por um assassino contratado por Amadeu. Minha casa parece estar como deixei. Daqui a pouco o sol vai raiar, então preciso ser objetivo, pegar o que preciso e me esconder. Para minha grandiosa sorte as roupas que Flávia me deu eram as mesmas que eu vestia quando apaguei, então minha chave está dentro do bolso. Dou uma volta no tambor da fechadura.
- Ora... ora... - essa voz. Um arrepio me percorreu com tanta força que agora já nem sei se irei morrer ao me virar. - Olhe para mim. Não tenha medo. - tudo bem.
- Allan. - inflexível.
- Como estão as coisas, rapaz? - esse sorrisinho dele... juro que o matarei apenas por causa desse sorrisinho.
- Maravilhosas! Até acredito que possa me dar alguma resposta em relação a Amadeu. - ele não veio me matar. O assassino aqui sou eu.
- Respostas?
- Sim.
- Mas quais as perguntas? - gozador.
- Por que Amadeu me quer morto? - inflexível.
- Jura que não sabe?
- Se eu soubesse não perguntaria.
- Deve ser porque vai te descartar...
- Se fosse isso eu estaria morto. - uma leve irritação em minha voz.
- Faz sentido. - velho desgraçado.
- Armando e Flávia disseram que ele me investiga faz tempo. - inflexível.
- Confia neles.
- Mais do que em você, no presente momento.
- Não foi uma pergunta, rapaz. - inflexíveis.
- Assim como não respondi, apenas expliquei bem para que não se perca em sua mente de velho.
- E se exaltou. - zombando.
- Me exaltei? - ninguém mandou me zoar. Saco a arma e aponto entre os olhos desse velho filho da puta. - Jura que me exaltei? - psicopata. Não a definição melhor para mim agora.
- Isso mesmo. - ele nem parece se incomodar com uma arma. Abaixo ela e guardo.
- Você me colocou nisso. Amadeu mandou você falar comigo? - estou irritado, de verdade.
- Não tem coragem de me matar?
- Não tenho motivo para te matar antes de me dizer algumas coisas.
- Matar tem sido uma ótima solução para você, não é? - desgraçado.
- Na verdade, sim. - inflexível, novamente.
- Eu nem tenho contato com Amadeu. - ele acendeu um cigarro e eu fiquei perplexo com a resposta.
- Como não tem contato? E a festa que me levou na casa dele? E o plano que disse que eu teria que colaborar com você?
- Você vai precisar de muito mais do que perguntas como essas para entender o que está acontecendo, filho. - eu odeio quando ele me chama assim.
- Então descobrirei sem você.
- Mas te darei uma pista. - ele sabe despertar minha curiosidade...
- Pista?
- Armando Carpinelli. É o nome completo de Armando. Ele é filho de Leonidas Carpinelli, o maior concorrente de Amadeu em nossa região. Armando foi infiltrado pelo próprio pai para acabar com Amadeu. - plot twist mental.
- Armando? Mas como Amadeu não percebeu antes? Como não sabia que ele era um Carpinelli? - perplexo.
- Armando viveu muito tempo fora. Ele voltou, ninguém o conhecia. Foi fácil usar um sobrenome falso.
- E o que aconteceu? Por que apareceu banhado de sangue em minha casa?
- Ele foi descoberto.
- Armando é muito competente. - estou defendendo Armando. Nm acredito em tudo o que estou ouvindo... Que loucura.
- Sim, mas ele falhou em uma missão.
- Com Amadeu? Amadeu descobriu quem ele realmente é? - eu preciso de todas as respostas, Allan.
- Ele falhou em te matar. - eu vou desmaiar, eu acho.
- Amadeu ordenou isso? - me responda logo, antes que eu perca minha consciência.
- Sim. E quando Armando estava vindo para executar essa ordem, junto de outro capanga de Amadeu, resolveu acabar com toda a encenação, matou o capanga e veio aqui para te encontrar.
- Mas por que Amadeu quer me matar?
- Não sei ainda. Mas quando eu tiver essa resposta, não se preocupe, te encontrarei e te direi. - ele começou a andar para ir embora.
- Allan! Espere. Como sabe de tudo isso... Sobre Armando? - nunca fiquei tão confuso.
- Tenho meus meios. Logo descobrirá.
Ele foi embora, e nemm apressei em pegar o que precisava. Roupas, dinheiro, armas, documentos falsos, tudo pronto para quando eu for, mas preciso de um momento; fiquei muito desapontado com as frutas podres pois eu realmente queria comer uma delas.
Armando foi descoberto por minha causa, então eu devo valer alguma coisa. Droga... Passei tanto tempo vivendo a vida dos outros que mal me lembro quem sou.
Abandonei o carro na rua atrás da minha, e espero que todo aquele sangue seco no estofamento deixe esta cidade policiada ao limite.
Boa hora para aquele comprimidinho.
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